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Physicae

Realidade e Consciência:Notas Sobre o Pensamento de David Bohm

Rodrigo Siqueira‐Batista, Romulo Siqueira Batista, Cláudia Costa, J. A. Helayël-Neto

Published Jan 1, 2006• 1 citation
Publisher

Abstract

No presente artigo sao apresentadas e discutidas algumas ideias do fisico David Bohm, tomando-se como “pano de fundo” as questoes da realidade e da consciencia como pressupostos para compreensao dos conceitos de ordem implicita e holomovimento.
DOI
10.5196/physicae.6.3

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Beyond clouds and watches: the perception of reality by David Bohm

Rodrigo França Carvalho

Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo

Scientiae Studia•Dec 30, 2016•0 citations

O conhecimento na física: do invisível segundo a observação ao visível segundo o pensamento

Michel Paty

segundo o pensamento Michel Paty1 A física contemporânea (aquela que começou no início do século xx) é, de certo modo, uma física do invisível, de um invisível que era até então dado como quase certamente incognoscível: os átomos e todos os fenômenos do domínio atômico e subatômico.De fato, a física fez esse invisível tornar-se cognoscível, desenvolvendo para isso instrumentos materiais (aparelhagens) e intelectuais (conceitos, modelos teóricos e teorias).Ainda melhor, ela fez esse invisível tornar-se visível.2 Existe uma diferença entre o cognoscível e o visível, a saber, o cognoscível pode ser conhecido indiretamente por uma teoria e por experiências, mas elas certamente não nos trariam, senão de longe e de maneira mediata, as informações (que podem ser exatas) sobre o domínio invisível.Tal é, por exemplo, o estatuto do domínio quântico tal como o concebia a teoria quântica na perspectiva da Escola de Copenhague.A "teoria quântica" não seria, com efeito, senão um formalismo matemático sobre quantidades abstratas, sem contraparte física direta, aumentada por uma "interpretação".Esse formalismo é o da função de estado definida sobre um espaço matemático abstrato de Hilbert -ou amplitude de probabilidade -e dos operadores hermíticos que agem sobre essas funções, correspondendo a "observáveis" dos quais, entretanto, somente os "valores próprios" são observados etc.A interpretação, indissociavelmente física e filosófica segundo o pensamento "ortodoxo" da Escola de Copenhague, estabelece a relação entre essas entidades abstratas do formalismo e os resultados da observação e da experiência.Algumas dessas interpretações são simplesmente regras (aceitas por todos) que dão o sentido físico das grandezas, tal como a interpretação probabilística da função de estado de Max Born (que a fixa como amplitude de probabilidade); ou como a complementaridade das grandezas clássicas para descrever os sistemas quânticos, a qual estabelece em qual medida as grandezas clássicas podem ainda descrever os sistemas scientiæ zudia, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 293-8, 2010 notas e críticas 293 Esta nota resulta de uma comunicação na mesa redonda "Invisible, inexpliqué ou inintelligible", no Colóquio "L'univers invisible.Energie noire, matière

Scientiae Studia•Jun 1, 2010•1 citation

UM OLHAR PRAGMATISTA SOBRE AS IDEIAS FILOSÓFICAS DE SCHRÖDINGER

Caroline Elisa Murr

A rejeicao de dualismos, como sujeito/objeto e teorias/fatos, esta presente principalmente nos ultimos textos de Erwin Schrodinger. Ele da a entender tambem nesses textos que o que e considerado real e tudo aquilo que nos faz agir de determinada forma. Este artigo e parte de um projeto em fase inicial de desenvolvimento, que se propoe a estabelecer esses e outros pontos de contato entre a filosofia pragmatista e as ideias de Schrodinger. Segundo Yemima Ben-Menahem, seria dificil rotular a posicao filosofica deste renomado fisico, mas parece adequado, para ela, dizer que se trata de uma “filosofia com uma face humana”. Defendemos que, para Schrodinger, a ciencia constroi seu proprio objeto de estudo e, alem disso, a propria realidade dos objetos cotidianos e um construto, estabelecido em uma experiencia de inter-relacao entre a ‘mente’ ou o ‘sujeito’ e o ‘mundo’. Em “Mind and Matter”, publicado em 1958, Schrodinger afirma que “sujeito e objeto sao um so”, nao havendo uma barreira entre um mundo que “existe” e outro que e percebido. A formacao de “invariantes”, que nos fazem ver a realidade da mesma forma, comeca ainda na tenra infância. O objeto do cientista carrega essa construcao, mais a maneira como ele o concebe a partir de uma teoria de fundo. Neste artigo, comparamos as ideias de Schrodinger com as de John Dewey sobre a realidade, em “Philosophy and Civilization”, especialmente o capitulo “The Practical Character of Reality”.

•May 12, 2010•0 citations

Bohm, Einstein e a Ciência Brasileira

Juliano Carvalho Bento

Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.

•Jul 7, 2026•0 citations

Spinoza e Bohm: um possível diálogo

Claudio de Souza Rocha, Roberto Leon Ponczek

Com este artigo, pretendemos uma aproximação entre a filosofia de Spinoza (1632-1677) e a física teórica de David Bohm (1917-1992), a fim de identificar algumas possíveis convergências entre ambos. De fato, defendemos a hipótese de que a metafisica de Spinoza é compatível com a interpretação determinística da física quântica elaborada por Bohm, por está em conformidade com a compreensão determinista de Spinoza sobre a realidade.\nAbstractWith this article, we want a rapprochement between the philosophy of Spinoza (1632-1677) and the theoretical physics of David Bohm (1917-1992), in order to identify some possible similarities between both. In fact, we defend the hypothesis that the metaphysics of Spinoza is compatible with the deterministic interpretation of quantum physics developed by Bohm, by complies with the deterministic understanding of Spinoza about reality.

•Jan 1, 2018•1 citation

Aspectos das convergências e divergências entre os pensamentos de Kant e Bohr

Eduardo Simões, Erickson Cristiano Dos Santos, Helen Cristina Pereira Lima +2 more

O objetivo deste trabalho é apresentar a filosofia de Kant e o pensamento de Bohr como formas de conhecimento que se encontram, segundo alguns comentadores, a partir de conceitos da física clássica. Ademais, a epistemologia de Kant apresentou grande aproximação com a filosofia natural de Newton e, conceitualmente, alguns limites de fronteira com a filosofia da física quântica, se consideramos a fase inicial da mecânica clássica. Tais conceitos limítrofes adquiriram forma na física de Bohr e, por sua vez, se modificaram no pensamento do físico dinamarquês. Assim, aborda-se aqui a posição de Bohr sobre conceitos aproximados da filosofia kantiana, pelo viés clássico da preservação de conceitos como espaço, tempo, realismo e causalidade da física. Por outro lado, serão apresentados argumentos que indicam como não se sustentam todas as interpretações que construíram um “Bohr kantiano”.

Perspectivas•Apr 7, 2023•0 citations
Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo
segundo o pensamento Michel Paty1 A física contemporânea (aquela que começou no início do século xx) é, de certo modo, uma física do invisível, de um invisível que era até então dado como quase certamente incognoscível: os átomos e todos os fenômenos do domínio atômico e subatômico.De fato, a física fez esse invisível tornar-se cognoscível, desenvolvendo para isso instrumentos materiais (aparelhagens) e intelectuais (conceitos, modelos teóricos e teorias).Ainda melhor, ela fez esse invisível tornar-se visível.2 Existe uma diferença entre o cognoscível e o visível, a saber, o cognoscível pode ser conhecido indiretamente por uma teoria e por experiências, mas elas certamente não nos trariam, senão de longe e de maneira mediata, as informações (que podem ser exatas) sobre o domínio invisível.Tal é, por exemplo, o estatuto do domínio quântico tal como o concebia a teoria quântica na perspectiva da Escola de Copenhague.A "teoria quântica" não seria, com efeito, senão um formalismo matemático sobre quantidades abstratas, sem contraparte física direta, aumentada por uma "interpretação".Esse formalismo é o da função de estado definida sobre um espaço matemático abstrato de Hilbert -ou amplitude de probabilidade -e dos operadores hermíticos que agem sobre essas funções, correspondendo a "observáveis" dos quais, entretanto, somente os "valores próprios" são observados etc.A interpretação, indissociavelmente física e filosófica segundo o pensamento "ortodoxo" da Escola de Copenhague, estabelece a relação entre essas entidades abstratas do formalismo e os resultados da observação e da experiência.Algumas dessas interpretações são simplesmente regras (aceitas por todos) que dão o sentido físico das grandezas, tal como a interpretação probabilística da função de estado de Max Born (que a fixa como amplitude de probabilidade); ou como a complementaridade das grandezas clássicas para descrever os sistemas quânticos, a qual estabelece em qual medida as grandezas clássicas podem ainda descrever os sistemas scientiæ zudia, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 293-8, 2010 notas e críticas 293 Esta nota resulta de uma comunicação na mesa redonda "Invisible, inexpliqué ou inintelligible", no Colóquio "L'univers invisible.Energie noire, matière
A rejeicao de dualismos, como sujeito/objeto e teorias/fatos, esta presente principalmente nos ultimos textos de Erwin Schrodinger. Ele da a entender tambem nesses textos que o que e considerado real e tudo aquilo que nos faz agir de determinada forma. Este artigo e parte de um projeto em fase inicial de desenvolvimento, que se propoe a estabelecer esses e outros pontos de contato entre a filosofia pragmatista e as ideias de Schrodinger. Segundo Yemima Ben-Menahem, seria dificil rotular a posicao filosofica deste renomado fisico, mas parece adequado, para ela, dizer que se trata de uma “filosofia com uma face humana”. Defendemos que, para Schrodinger, a ciencia constroi seu proprio objeto de estudo e, alem disso, a propria realidade dos objetos cotidianos e um construto, estabelecido em uma experiencia de inter-relacao entre a ‘mente’ ou o ‘sujeito’ e o ‘mundo’. Em “Mind and Matter”, publicado em 1958, Schrodinger afirma que “sujeito e objeto sao um so”, nao havendo uma barreira entre um mundo que “existe” e outro que e percebido. A formacao de “invariantes”, que nos fazem ver a realidade da mesma forma, comeca ainda na tenra infância. O objeto do cientista carrega essa construcao, mais a maneira como ele o concebe a partir de uma teoria de fundo. Neste artigo, comparamos as ideias de Schrodinger com as de John Dewey sobre a realidade, em “Philosophy and Civilization”, especialmente o capitulo “The Practical Character of Reality”.
Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.
Com este artigo, pretendemos uma aproximação entre a filosofia de Spinoza (1632-1677) e a física teórica de David Bohm (1917-1992), a fim de identificar algumas possíveis convergências entre ambos. De fato, defendemos a hipótese de que a metafisica de Spinoza é compatível com a interpretação determinística da física quântica elaborada por Bohm, por está em conformidade com a compreensão determinista de Spinoza sobre a realidade.\nAbstractWith this article, we want a rapprochement between the philosophy of Spinoza (1632-1677) and the theoretical physics of David Bohm (1917-1992), in order to identify some possible similarities between both. In fact, we defend the hypothesis that the metaphysics of Spinoza is compatible with the deterministic interpretation of quantum physics developed by Bohm, by complies with the deterministic understanding of Spinoza about reality.
O objetivo deste trabalho é apresentar a filosofia de Kant e o pensamento de Bohr como formas de conhecimento que se encontram, segundo alguns comentadores, a partir de conceitos da física clássica. Ademais, a epistemologia de Kant apresentou grande aproximação com a filosofia natural de Newton e, conceitualmente, alguns limites de fronteira com a filosofia da física quântica, se consideramos a fase inicial da mecânica clássica. Tais conceitos limítrofes adquiriram forma na física de Bohr e, por sua vez, se modificaram no pensamento do físico dinamarquês. Assim, aborda-se aqui a posição de Bohr sobre conceitos aproximados da filosofia kantiana, pelo viés clássico da preservação de conceitos como espaço, tempo, realismo e causalidade da física. Por outro lado, serão apresentados argumentos que indicam como não se sustentam todas as interpretações que construíram um “Bohr kantiano”.