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Spinoza e Bohm: um possível diálogo

Claudio de Souza Rocha, Roberto Leon Ponczek

Published Jan 1, 2018• 1 citation
OpenAlex

Abstract

Com este artigo, pretendemos uma aproximação entre a filosofia de Spinoza (1632-1677) e a física teórica de David Bohm (1917-1992), a fim de identificar algumas possíveis convergências entre ambos. De fato, defendemos a hipótese de que a metafisica de Spinoza é compatível com a interpretação determinística da física quântica elaborada por Bohm, por está em conformidade com a compreensão determinista de Spinoza sobre a realidade.\nAbstractWith this article, we want a rapprochement between the philosophy of Spinoza (1632-1677) and the theoretical physics of David Bohm (1917-1992), in order to identify some possible similarities between both. In fact, we defend the hypothesis that the metaphysics of Spinoza is compatible with the deterministic interpretation of quantum physics developed by Bohm, by complies with the deterministic understanding of Spinoza about reality.

Related papers

Beyond clouds and watches: the perception of reality by David Bohm

Rodrigo França Carvalho

Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo

Scientiae Studia•Dec 30, 2016•0 citations

David Bohm e a Mecânica Quântica: o Todo e o Indiviso

Rodrigo Siqueira‐Batista, Mathias Viana Vicari, J. A. Helayël-Neto

A visão indeterminista inspirada pela Escola de Copenhague – proposta, em 1927, pelo físico dinamarquês Niels Bohr e que articula o princípio da incerteza de Werner Heisenberg e a equação de onda de Erwin Schrödinger – tornou-se a interpretação hegemônica da Mecânica Quântica (MQ). Albert Einstein adotou uma visão bastante crítica em relação a este modo de descrever os processos atinentes à intimidade da matéria, considerando a MQ uma teoria incompleta. Louis De Broglie, já em 1927, propõe uma concepção alternativa – interpretação da onda piloto –, na qual se considera a MQ uma teoria determinística. Vinte e cinco anos depois, David Bohm desenvolve, na mesma lógica, a Teoria do Potencial Quântico, não-relativística, cujas ideias de destaque incluem as variáveis ocultas e a não localidade. Com base nessas breves considerações, o presente artigo tem por objetivo (1) apresentar os aspectos essenciais da Interpretação de Copenhague da MQ, (2) criticar tal perspectiva do ponto de vista do paradoxo EPR (Einstein, Podolsky e Rosen) e do “Gato de Schrödinger” e (3) analisar a abordagem matemática e as consequências filosóficas da MQ de David Bohm (MQ-B).

Revista Brasileira de Ensino de Física•Jan 1, 2022•1 citation

The dance of the mind. Physics and metaphysics in Gilles Deleuze and David Bohm

Alberto Gualandi

Over and above differences in terminology and cultural background, we try to show that the quantum physicist, David Bohm (Wilkes-Barre 1917 – London 1992), and poststructuralist philosopher, Gilles Deleuze (Paris 1925 – Paris 1995), shared a common aim in thought: to replace the classical (mechanistic) image of reality, which is still dominant in our time, with a metaphysics finally in agreement with the concepts and results of relativity, quantum mechanics andcontemporary biology. For these two thinkers, the world of things that are well individuated in space and time, and ordered according to mechanical relations of cause and effect, are nothing but the momentary expression of an “undivided wholeness in flowing movement” that constitutes its true ontological ground. By means of this new metaphysics, the world of daily experience and classical science appears as the explicit manifestation or development of implicate order that undivided wholeness contains virtually in itself at deeper and deeper levels of envelopment and imbrication. The explicit world (of classical science and daily experience) is the result of a process of repetition, deceleration and temporal stabilization, triggered by the interaction of our measuring instruments – technical devices, sensory organs and motors, a priori forms and categories of the understanding – with moving wholeness, the thinking and observing subject of which represents a momentary and partial reflection rather than a solitaryand autonomous fragment. By criticizing the classical image of thecorrespondence/adequation of being and thought, Bohm and Deleuzeshow that the thought seeking to grasp this wholeness in flowingmovement inevitably interacts with it – by modifying, recreating andaccomplishing it in one direction rather than another. Thought thusresembles a dance that tries to harmonize with the universal flux thatgenerates and carries it away in a single movement with matter. ***************************************************************************************************************************Para além das diferenças de terminologia e de background cultural, tenta-se aqui mostrar que o físico quântico David Bohm (Wilkes-Barre 1917 – Londres 1992) e o filósofo pós-estruturalista Gilles Deleuze (Paris 1925 - Paris 1995) tiverem um objetivo comum de pensamento: substituir a imagem clássica (mecanicista) da realidade, ainda dominante em nossa época, por uma metafísica finalmente de acordo com os conceitos e resultados da relatividade, da mecânica quântica e da biologia contemporânea. Para estes dois pensadores, o mundo das coisas bem individuadas no espaço e no tempo, e ordenadas conforme as relações mecânicas de causa e efeito, não é nada outro que a expressão momentânea de uma “Totalidade indivisa em devir” que constitui seu verdadeiro fundamento ontológico. Pelo meio desta nova metafisica, o mundo da experiência cotidiana e da ciência clássica aparece como a manifestação explicita ou desenvolvida da ordem implícita que a totalidade indivisa contém virtualmente nela mesma em níveis de envolvimento e de imbricação sempre mais profundos. O mundo explícito (da ciência clássica e da experiência cotidiana) é o resultado de um processo de repetição, desaceleração e estabilização temporal, desencadeado pela interação de nossos instrumentos de medição -- aparelhos técnicos, órgãos sensoriais e motores, formas “a priori” e categorias do entendimento – com uma totalidade movente no qual o sujeito pensante e observante representa um reflexo momentâneo e parcial ao invés de um fragmento solitário e autônomo. Ao criticar a imagem clássica da correspondência/adequação entre o ser e o pensamento, Bohm e Deleuze mostram finalmente que o pensamento que intenta capturar esta Totalidade em devir interage inevitavelmente com ela, modificando-a, recriando-a e realizando-a em uma direção ao invés de outra. O pensamento se aparenta assim a uma dança que tenta se harmonizar com o flux universal que o gera e o leva em um movimento só com a matéria.Palavras-chave: Bohm; Deleuze; totalidade indivisa em devir; física quântica; pós-estruturalismo; ontologia.

Veritas (Porto Alegre)•Oct 26, 2017•5 citations

UM OLHAR PRAGMATISTA SOBRE AS IDEIAS FILOSÓFICAS DE SCHRÖDINGER

Caroline Elisa Murr

A rejeicao de dualismos, como sujeito/objeto e teorias/fatos, esta presente principalmente nos ultimos textos de Erwin Schrodinger. Ele da a entender tambem nesses textos que o que e considerado real e tudo aquilo que nos faz agir de determinada forma. Este artigo e parte de um projeto em fase inicial de desenvolvimento, que se propoe a estabelecer esses e outros pontos de contato entre a filosofia pragmatista e as ideias de Schrodinger. Segundo Yemima Ben-Menahem, seria dificil rotular a posicao filosofica deste renomado fisico, mas parece adequado, para ela, dizer que se trata de uma “filosofia com uma face humana”. Defendemos que, para Schrodinger, a ciencia constroi seu proprio objeto de estudo e, alem disso, a propria realidade dos objetos cotidianos e um construto, estabelecido em uma experiencia de inter-relacao entre a ‘mente’ ou o ‘sujeito’ e o ‘mundo’. Em “Mind and Matter”, publicado em 1958, Schrodinger afirma que “sujeito e objeto sao um so”, nao havendo uma barreira entre um mundo que “existe” e outro que e percebido. A formacao de “invariantes”, que nos fazem ver a realidade da mesma forma, comeca ainda na tenra infância. O objeto do cientista carrega essa construcao, mais a maneira como ele o concebe a partir de uma teoria de fundo. Neste artigo, comparamos as ideias de Schrodinger com as de John Dewey sobre a realidade, em “Philosophy and Civilization”, especialmente o capitulo “The Practical Character of Reality”.

•May 12, 2010•0 citations

Orgulho científico e preconceito metafísico

Rosa Maria Mayorga

Metafísicos e físicos compartilham o desejo orgulhoso de entender o mundo e todas as coisas que existem. E assim compreender completamente a natureza da realidade. Quase cem anos depois de ter sido proposta, a teoria quântica transformou radicalmente a ciência da física, convidando a uma concepção de realidade que está drasticamente em desacordo com nossas convicções metafísicas mais arraigadas. Um cientista e metafísico extraordinário, Charles Sanders Peirce (1839–1914) estava singularmente preparado para reconhecer alguns dos “preconceitos metafísicos” sobre o mundo que a teoria quântica, desenvolvida anos depois, revelou. Este artigo propõe traçar como o realismo de Peirce, inspirado por John Duns Scotus (c. 1266–1308), monge franciscano do século XIII, adaptado para uma metafísica científica reconcebida, aproxima-se de alguns dos enigmas familiares colocados pela física quântica no início do século XXI.

TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas•Mar 19, 2025•0 citations

Bohm, Einstein e a Ciência Brasileira

Juliano Carvalho Bento

Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.

•Jul 7, 2026•0 citations
Com este artigo, pretendemos uma aproximação entre a filosofia de Spinoza (1632-1677) e a física teórica de David Bohm (1917-1992), a fim de identificar algumas possíveis convergências entre ambos. De fato, defendemos a hipótese de que a metafisica de Spinoza é compatível com a interpretação determinística da física quântica elaborada por Bohm, por está em conformidade com a compreensão determinista de Spinoza sobre a realidade.\nAbstractWith this article, we want a rapprochement between the philosophy of Spinoza (1632-1677) and the theoretical physics of David Bohm (1917-1992), in order to identify some possible similarities between both. In fact, we defend the hypothesis that the metaphysics of Spinoza is compatible with the deterministic interpretation of quantum physics developed by Bohm, by complies with the deterministic understanding of Spinoza about reality.
Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo
A visão indeterminista inspirada pela Escola de Copenhague – proposta, em 1927, pelo físico dinamarquês Niels Bohr e que articula o princípio da incerteza de Werner Heisenberg e a equação de onda de Erwin Schrödinger – tornou-se a interpretação hegemônica da Mecânica Quântica (MQ). Albert Einstein adotou uma visão bastante crítica em relação a este modo de descrever os processos atinentes à intimidade da matéria, considerando a MQ uma teoria incompleta. Louis De Broglie, já em 1927, propõe uma concepção alternativa – interpretação da onda piloto –, na qual se considera a MQ uma teoria determinística. Vinte e cinco anos depois, David Bohm desenvolve, na mesma lógica, a Teoria do Potencial Quântico, não-relativística, cujas ideias de destaque incluem as variáveis ocultas e a não localidade. Com base nessas breves considerações, o presente artigo tem por objetivo (1) apresentar os aspectos essenciais da Interpretação de Copenhague da MQ, (2) criticar tal perspectiva do ponto de vista do paradoxo EPR (Einstein, Podolsky e Rosen) e do “Gato de Schrödinger” e (3) analisar a abordagem matemática e as consequências filosóficas da MQ de David Bohm (MQ-B).
Over and above differences in terminology and cultural background, we try to show that the quantum physicist, David Bohm (Wilkes-Barre 1917 – London 1992), and poststructuralist philosopher, Gilles Deleuze (Paris 1925 – Paris 1995), shared a common aim in thought: to replace the classical (mechanistic) image of reality, which is still dominant in our time, with a metaphysics finally in agreement with the concepts and results of relativity, quantum mechanics andcontemporary biology. For these two thinkers, the world of things that are well individuated in space and time, and ordered according to mechanical relations of cause and effect, are nothing but the momentary expression of an “undivided wholeness in flowing movement” that constitutes its true ontological ground. By means of this new metaphysics, the world of daily experience and classical science appears as the explicit manifestation or development of implicate order that undivided wholeness contains virtually in itself at deeper and deeper levels of envelopment and imbrication. The explicit world (of classical science and daily experience) is the result of a process of repetition, deceleration and temporal stabilization, triggered by the interaction of our measuring instruments – technical devices, sensory organs and motors, a priori forms and categories of the understanding – with moving wholeness, the thinking and observing subject of which represents a momentary and partial reflection rather than a solitaryand autonomous fragment. By criticizing the classical image of thecorrespondence/adequation of being and thought, Bohm and Deleuzeshow that the thought seeking to grasp this wholeness in flowingmovement inevitably interacts with it – by modifying, recreating andaccomplishing it in one direction rather than another. Thought thusresembles a dance that tries to harmonize with the universal flux thatgenerates and carries it away in a single movement with matter. ***************************************************************************************************************************Para além das diferenças de terminologia e de background cultural, tenta-se aqui mostrar que o físico quântico David Bohm (Wilkes-Barre 1917 – Londres 1992) e o filósofo pós-estruturalista Gilles Deleuze (Paris 1925 - Paris 1995) tiverem um objetivo comum de pensamento: substituir a imagem clássica (mecanicista) da realidade, ainda dominante em nossa época, por uma metafísica finalmente de acordo com os conceitos e resultados da relatividade, da mecânica quântica e da biologia contemporânea. Para estes dois pensadores, o mundo das coisas bem individuadas no espaço e no tempo, e ordenadas conforme as relações mecânicas de causa e efeito, não é nada outro que a expressão momentânea de uma “Totalidade indivisa em devir” que constitui seu verdadeiro fundamento ontológico. Pelo meio desta nova metafisica, o mundo da experiência cotidiana e da ciência clássica aparece como a manifestação explicita ou desenvolvida da ordem implícita que a totalidade indivisa contém virtualmente nela mesma em níveis de envolvimento e de imbricação sempre mais profundos. O mundo explícito (da ciência clássica e da experiência cotidiana) é o resultado de um processo de repetição, desaceleração e estabilização temporal, desencadeado pela interação de nossos instrumentos de medição -- aparelhos técnicos, órgãos sensoriais e motores, formas “a priori” e categorias do entendimento – com uma totalidade movente no qual o sujeito pensante e observante representa um reflexo momentâneo e parcial ao invés de um fragmento solitário e autônomo. Ao criticar a imagem clássica da correspondência/adequação entre o ser e o pensamento, Bohm e Deleuze mostram finalmente que o pensamento que intenta capturar esta Totalidade em devir interage inevitavelmente com ela, modificando-a, recriando-a e realizando-a em uma direção ao invés de outra. O pensamento se aparenta assim a uma dança que tenta se harmonizar com o flux universal que o gera e o leva em um movimento só com a matéria.Palavras-chave: Bohm; Deleuze; totalidade indivisa em devir; física quântica; pós-estruturalismo; ontologia.
A rejeicao de dualismos, como sujeito/objeto e teorias/fatos, esta presente principalmente nos ultimos textos de Erwin Schrodinger. Ele da a entender tambem nesses textos que o que e considerado real e tudo aquilo que nos faz agir de determinada forma. Este artigo e parte de um projeto em fase inicial de desenvolvimento, que se propoe a estabelecer esses e outros pontos de contato entre a filosofia pragmatista e as ideias de Schrodinger. Segundo Yemima Ben-Menahem, seria dificil rotular a posicao filosofica deste renomado fisico, mas parece adequado, para ela, dizer que se trata de uma “filosofia com uma face humana”. Defendemos que, para Schrodinger, a ciencia constroi seu proprio objeto de estudo e, alem disso, a propria realidade dos objetos cotidianos e um construto, estabelecido em uma experiencia de inter-relacao entre a ‘mente’ ou o ‘sujeito’ e o ‘mundo’. Em “Mind and Matter”, publicado em 1958, Schrodinger afirma que “sujeito e objeto sao um so”, nao havendo uma barreira entre um mundo que “existe” e outro que e percebido. A formacao de “invariantes”, que nos fazem ver a realidade da mesma forma, comeca ainda na tenra infância. O objeto do cientista carrega essa construcao, mais a maneira como ele o concebe a partir de uma teoria de fundo. Neste artigo, comparamos as ideias de Schrodinger com as de John Dewey sobre a realidade, em “Philosophy and Civilization”, especialmente o capitulo “The Practical Character of Reality”.
Metafísicos e físicos compartilham o desejo orgulhoso de entender o mundo e todas as coisas que existem. E assim compreender completamente a natureza da realidade. Quase cem anos depois de ter sido proposta, a teoria quântica transformou radicalmente a ciência da física, convidando a uma concepção de realidade que está drasticamente em desacordo com nossas convicções metafísicas mais arraigadas. Um cientista e metafísico extraordinário, Charles Sanders Peirce (1839–1914) estava singularmente preparado para reconhecer alguns dos “preconceitos metafísicos” sobre o mundo que a teoria quântica, desenvolvida anos depois, revelou. Este artigo propõe traçar como o realismo de Peirce, inspirado por John Duns Scotus (c. 1266–1308), monge franciscano do século XIII, adaptado para uma metafísica científica reconcebida, aproxima-se de alguns dos enigmas familiares colocados pela física quântica no início do século XXI.
Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.