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Revista Brasileira de Ontopsicologia - Brazilian Journal of Ontopsychology

Metafísica da Física: a relação crítica entre o problema crítico do conhecimento e a Ontopsicologia

Hans Egon Hostermann

Published Aug 25, 2021• 0 citations
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Abstract

O presente artigo pretende dar uma resposta à pergunta: afinal, o homem pesquisador é capaz de conhecer? Edmund Husserl denuncia uma crise nas ciências, ao afirmar que nenhuma ciência demonstrou ser capaz de conhecer a causalidade em si. Werner Heisenberg evidenciou esta crise quando formulou o texto que ficou conhecido como o ‘’Princípio de Indeterminação’’, no qual demonstra que o homem pesquisador não consegue medir com exatidão, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula atômica. O experimento da fenda dupla releva o quanto afirmado por Heisenberg. Esta incapacidade de conhecer é própria da natureza? Ou é o homem cientista que tem sido incapaz de conhecer? Para responder esta questão, o mesmo experimento da fenda dupla ilustra uma realidade que acontece aprioristicamente no interior do homem, inconsciente: “o princípio crítico sobre a razão humana antecipada por um monitor metabolizado no cérebro’’. Deste modo, o homem pesquisador age no externo por como é interferido no interno. Aqui retorna a pergunta inicial: conhecer, afinal é possível? Físicos contemporâneos como Carlo Rovelli e Anton Zeilinger dão ênfase à informação, destacando os avanços da ciência informática. Será esta a resolução do problema crítico do conhecimento? Antonio Meneghetti afirma que a indeterminação não está restrita ao experimento feito em laboratório. A partir do conceito ontológico de informação, evidencia que tudo está em aberto; e aponta umcaminho para que o homem possa conhecer o real (ser), como causalidade última de toda fenomenologia: o campo semântico. Aqui está a resolução do problema crítico do conhecimento.

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Física e Além: transcendendo a indeterminação Werner Heisenberg

H. Horstmann

Resumo: O presente artigo pretende questionar o que a ciência construída pelo homem realmente conhece.Neste sentido é preciso verificar o que realmente significa "conhecer".A ciência de hoje pode realmente "ostentar" este nome?Edmund Husserl denuncia uma crise nas ciências, afirmando que nenhuma ciência demonstrou ser capaz de conhecer a causalidade em si.Werner Heisenberg evidenciou esta crise quando formulou o texto que ficou conhecido como o "Princípio de Indeterminação", no qual demonstra que o homem cientista não consegue medir com exatidão, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula atômica.Esta incapacidade de conhecer é própria da natureza?Ou é o homem cientista que tem sido incapaz de conhecer?Erwin Schrödinger afirma que a indeterminação formulada por Heisenberg não é definitiva.Antonio Meneghetti evidencia que a indeterminação não está restrita a um experimento feito em laboratório.A partir do conceito de "informação", ele afirma que tudo está em aberto.Mas existe um caminho para se conhecer o real, a causalidade em ato.Para trilhar este caminho, precisamos afrontar o tema da Ontologia, isto é: a metafísica.Para conhecer o real, a causa em si, o homem precisa conhecer o ser, a lógica do ser.O homem então descobrirá que o ser ama comunicar, e faz isto emanando informações.É necessário aprender a ler estas informações.Este é o modo para se entrar no mundo-davida, como diria Husserl.Caso contrário, a ciência continuará sendo sinônimo de descrição de fenômenos que o homem cientista percebe com os sentidos externos.A causalidade permanecerá desconhecida.

Saber Humano•Apr 29, 2019•0 citations

A Ontopsicologia como resolução ao problema crítico do conhecimento: um diálogo entre Werner Heisenberg e Antonio Meneghetti The Ontopsychology as resolution to the critical problem of knowledge. A dialogue between Werner Heisenberg and Antonio Meneghetti

Hans Egon Horstmann

O presente artigo discute a relação do princípio de indeterminação de Heisenberg com a Ontopsicologia, com o objetivo primeiro de afrontar o problema crítico do conhecimento, isto é: o homem conhece a realidade que mede? Pretendemos verificar, a partir dos limites assumidos pela própria ciência – constantes no enunciado do princípio de indeterminação de Heisenberg – se o homem tem condições de conhecer e saber o real. Para responder esta questão é imprescindível discutir com profundidade a relação pesquisador versus objeto de pesquisa. Veremos isso “na prática” a partir de um experimento real: a experiência da fenda dupla. A partir deste experimento, promovemos um diálogo entre Heisenberg e Meneghetti, onde fica evidente que, fazendo uso da ciência que está fundada sobre um critério convencional, o real é algo que permanece desconhecido ao homem cientista. O real só é possível ser conhecido através de uma ciência que esteja fundada sobre o critério de natureza. A ciência que traz justamente esta novidade é a Ontopsicologia, razão pela qual ela pode se qualificar como resolução ao problema crítico do conhecimento.

Saber Humano•Feb 16, 2017•0 citations

Entre a matéria e a forma: o problema da objetividade dos fenômenos quânticos em Werner Heisenberg

João Cabral

Esta pesquisa procura problematizar a interpretação conceitual de Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em torno do problema da objetividade dos fenômenos quânticos, ou seja, em torno do antigo problema metafísico que remonta à filosofia grega, de investigar os últimos constituintes da natureza, o que, no caso de Heisenberg, significa indagar o estatuto filosófico-ontológico das vinte e cinco partículas elementares conhecidas em seu tempo. Heisenberg defende a ideia segundo a qual as partículas elementares são, em última instância, formas matemáticas que a energia deve assumir a fim de tornar-se matéria, o que aproxima sua interpretação ao modo como Platão concebia as formas puras, ou eidos. Nossa pesquisa procura problematizar a interpretação idealista de Heisenberg, e discutir as variadas facetas que estão envolvidas e implicadas neste seu posicionamento filosófico idealista. Por fim, defendemos a ideia da existência de uma tensão interna entre as posturas do filósofo Heisenberg que defende uma aproximação com as formas de Platão, para o problema da objetividade dos fenômenos quânticos, e do físico Heisenberg que aceita indiretamente um fundo objetivo material inerente aos fenômenos quânticos. Defendemos ainda que a estratégia de superação dessa tensão interna entre a física e filosofia, ou entre matéria e forma, em Heisenberg, constitui-se no que denominamos de atitude pragmática de Heisenberg, que consiste em preservar, simultaneamente, uma posição epistemológica-positivista no âmbito da física quântica, o que significa manter-se nos estreitos limites do que é possível conhecer pela observação, e uma posição ontológico-metafísica, no âmbito da filosofia, isto é, a posição de buscar as respostas últimas em relação a tudo o que existe.

•Dec 11, 2019•0 citations

METAPHYSICS FOR QUANTUM MECHANICS E A TEORIA DA OBJETIVIDADE: uma análise crítico-propositiva da potência estruturada, da não-localidade, do colapso quântico e da transcendência informacional em confronto com os axiomas modais da TO

Vidamor Cabannas, Silva Denivaldo

Este artigo apresenta uma análise crítico-propositiva de Metaphysics For Quantum Mechanics (2025), de Gaëtan Cantale-Miège, publicado no Zenodo com DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.15521232, em diálogo com a Teoria da Objetividade (TO), desenvolvida por Vidamor Cabannas e Denivaldo Silva. O estudo examina a interpretação tomista-aristotélica da mecânica quântica proposta por Cantale-Miège, especialmente as noções de potência estruturada, ato e potência, colapso da função de onda, não-localidade, medição quântica e estatuto ontológico do espaço-tempo. Esses temas são confrontados criticamente com os sete axiomas modais da Teoria da Objetividade, seus elementos fenomênicos, seus Efeitos Indutores, seu teorema cosmogênico e suas Eras cosmológicas. A análise sustenta que o conceito de potência estruturada oferece uma ponte metafísica relevante para a ontologia modal da TO, particularmente na passagem da indeterminação à determinação, da possibilidade à fronteira fenomênica e da relação quântica à existência objetiva. Ao mesmo tempo, o artigo identifica tensões importantes, sobretudo quanto à distinção entre a metafísica tomista e a ontologia modal própria da TO, fundada axiomaticamente. Na Teoria da Objetividade, o elemento transcendente é interpretado como conhecimento ou informação produzida nas relações atômicas e equivalente às radiações atômicas. Nessa perspectiva, o colapso quântico pode ser lido como estabilização redutiva de uma possibilidade estruturada, enquanto a medição pode ser compreendida como uma fronteira observacional pela qual a informação se expressa objetivamente. Este texto analítico contou com o suporte analítico do ChatGPT. Palavras-chave: Teoria da Objetividade; Vidamor Cabannas; Denivaldo Silva; Gaëtan Cantale-Miège; Metaphysics For Quantum Mechanics; ontologia quântica; metafísica tomista; metafísica aristotélica; potência estruturada; ato e potência; colapso da função de onda; não-localidade; medição quântica; transcendência informacional; informação atômica; radiação atômica; Efeitos Indutores; ontologia modal; fronteira fenomênica; Theory of Objectivity; Eras cosmológicas; filosofia da física.

•Jun 7, 2026•0 citations

Ensaio sobre a Dubiedade em Heidegger, Heisenberg e Bohr

Narbal de Marsillac, Maurício Malburg

O recente afastamento radical das explicações tradicionais a respeito de fenômenos subatômicos tem levado cientistas e filósofos a ponderar com mais vagar se a renúncia à própria noção de determinismo e de conhecimento objetivo, tão cara para o cientificismo positivista, tratar-se-ia de mero expediente momentâneo e superável, ou mesmo, no dizer de Erwin Schrödinger, de “simples excentricidades filosóficas desesperadas em momento de grande crise”, ou se, pelo contrário, exigiria, na verdade, a revisão, revolucionária por também ser radical, de todos os pressupostos considerados até então como os mais fundamentais do próprio pensamento, o que inclui: o princípio da causalidade, da localidade, do terceiro excluído, da não-contradição e da identidade. A presente proposta visa acompanhar uma reflexão sobre os princípios quânticos da Incerteza de Heisenberg e da Complementaridade de Bohr, relacionando-os com a própria ontologia heideggeriana na medida em que estes dois últimos princípios se estabelecem, cada um a seu modo, como que perpassados pelo que Heidegger chamará de dubiedade insuperável de todo e qualquer perguntar original pelo Ser e, assim, procurando mostrar que o referido afastamento, muito distinto de mera excentricidade filosófica desesperada, se dá em virtude da conscientização contemporânea cada vez maior de que a incerteza e a probabilidade são aspectos inerentes à physis que como num jogo dúbio de mostrar e esconder incessante, exatamente como o “nunca dado desde sempre” heraclítico, impossibilita que qualquer conhecimento da realidade atômica possa ser considerado propriamente como objetivo, definitivo e isento, acenando na mesma direção da experiência e interpretação grega do Ser como fundamento oculto de nossa existência histórica.

Synesis•Jan 1, 2009•0 citations

Física quântica e cultura:

Osvaldo Frota Pessoa Junior

Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.

TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas•Dec 15, 2023•0 citations
O presente artigo pretende dar uma resposta à pergunta: afinal, o homem pesquisador é capaz de conhecer? Edmund Husserl denuncia uma crise nas ciências, ao afirmar que nenhuma ciência demonstrou ser capaz de conhecer a causalidade em si. Werner Heisenberg evidenciou esta crise quando formulou o texto que ficou conhecido como o ‘’Princípio de Indeterminação’’, no qual demonstra que o homem pesquisador não consegue medir com exatidão, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula atômica. O experimento da fenda dupla releva o quanto afirmado por Heisenberg. Esta incapacidade de conhecer é própria da natureza? Ou é o homem cientista que tem sido incapaz de conhecer? Para responder esta questão, o mesmo experimento da fenda dupla ilustra uma realidade que acontece aprioristicamente no interior do homem, inconsciente: “o princípio crítico sobre a razão humana antecipada por um monitor metabolizado no cérebro’’. Deste modo, o homem pesquisador age no externo por como é interferido no interno. Aqui retorna a pergunta inicial: conhecer, afinal é possível? Físicos contemporâneos como Carlo Rovelli e Anton Zeilinger dão ênfase à informação, destacando os avanços da ciência informática. Será esta a resolução do problema crítico do conhecimento? Antonio Meneghetti afirma que a indeterminação não está restrita ao experimento feito em laboratório. A partir do conceito ontológico de informação, evidencia que tudo está em aberto; e aponta umcaminho para que o homem possa conhecer o real (ser), como causalidade última de toda fenomenologia: o campo semântico. Aqui está a resolução do problema crítico do conhecimento.
Resumo: O presente artigo pretende questionar o que a ciência construída pelo homem realmente conhece.Neste sentido é preciso verificar o que realmente significa "conhecer".A ciência de hoje pode realmente "ostentar" este nome?Edmund Husserl denuncia uma crise nas ciências, afirmando que nenhuma ciência demonstrou ser capaz de conhecer a causalidade em si.Werner Heisenberg evidenciou esta crise quando formulou o texto que ficou conhecido como o "Princípio de Indeterminação", no qual demonstra que o homem cientista não consegue medir com exatidão, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula atômica.Esta incapacidade de conhecer é própria da natureza?Ou é o homem cientista que tem sido incapaz de conhecer?Erwin Schrödinger afirma que a indeterminação formulada por Heisenberg não é definitiva.Antonio Meneghetti evidencia que a indeterminação não está restrita a um experimento feito em laboratório.A partir do conceito de "informação", ele afirma que tudo está em aberto.Mas existe um caminho para se conhecer o real, a causalidade em ato.Para trilhar este caminho, precisamos afrontar o tema da Ontologia, isto é: a metafísica.Para conhecer o real, a causa em si, o homem precisa conhecer o ser, a lógica do ser.O homem então descobrirá que o ser ama comunicar, e faz isto emanando informações.É necessário aprender a ler estas informações.Este é o modo para se entrar no mundo-davida, como diria Husserl.Caso contrário, a ciência continuará sendo sinônimo de descrição de fenômenos que o homem cientista percebe com os sentidos externos.A causalidade permanecerá desconhecida.
O presente artigo discute a relação do princípio de indeterminação de Heisenberg com a Ontopsicologia, com o objetivo primeiro de afrontar o problema crítico do conhecimento, isto é: o homem conhece a realidade que mede? Pretendemos verificar, a partir dos limites assumidos pela própria ciência – constantes no enunciado do princípio de indeterminação de Heisenberg – se o homem tem condições de conhecer e saber o real. Para responder esta questão é imprescindível discutir com profundidade a relação pesquisador versus objeto de pesquisa. Veremos isso “na prática” a partir de um experimento real: a experiência da fenda dupla. A partir deste experimento, promovemos um diálogo entre Heisenberg e Meneghetti, onde fica evidente que, fazendo uso da ciência que está fundada sobre um critério convencional, o real é algo que permanece desconhecido ao homem cientista. O real só é possível ser conhecido através de uma ciência que esteja fundada sobre o critério de natureza. A ciência que traz justamente esta novidade é a Ontopsicologia, razão pela qual ela pode se qualificar como resolução ao problema crítico do conhecimento.
Esta pesquisa procura problematizar a interpretação conceitual de Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em torno do problema da objetividade dos fenômenos quânticos, ou seja, em torno do antigo problema metafísico que remonta à filosofia grega, de investigar os últimos constituintes da natureza, o que, no caso de Heisenberg, significa indagar o estatuto filosófico-ontológico das vinte e cinco partículas elementares conhecidas em seu tempo. Heisenberg defende a ideia segundo a qual as partículas elementares são, em última instância, formas matemáticas que a energia deve assumir a fim de tornar-se matéria, o que aproxima sua interpretação ao modo como Platão concebia as formas puras, ou eidos. Nossa pesquisa procura problematizar a interpretação idealista de Heisenberg, e discutir as variadas facetas que estão envolvidas e implicadas neste seu posicionamento filosófico idealista. Por fim, defendemos a ideia da existência de uma tensão interna entre as posturas do filósofo Heisenberg que defende uma aproximação com as formas de Platão, para o problema da objetividade dos fenômenos quânticos, e do físico Heisenberg que aceita indiretamente um fundo objetivo material inerente aos fenômenos quânticos. Defendemos ainda que a estratégia de superação dessa tensão interna entre a física e filosofia, ou entre matéria e forma, em Heisenberg, constitui-se no que denominamos de atitude pragmática de Heisenberg, que consiste em preservar, simultaneamente, uma posição epistemológica-positivista no âmbito da física quântica, o que significa manter-se nos estreitos limites do que é possível conhecer pela observação, e uma posição ontológico-metafísica, no âmbito da filosofia, isto é, a posição de buscar as respostas últimas em relação a tudo o que existe.
Este artigo apresenta uma análise crítico-propositiva de Metaphysics For Quantum Mechanics (2025), de Gaëtan Cantale-Miège, publicado no Zenodo com DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.15521232, em diálogo com a Teoria da Objetividade (TO), desenvolvida por Vidamor Cabannas e Denivaldo Silva. O estudo examina a interpretação tomista-aristotélica da mecânica quântica proposta por Cantale-Miège, especialmente as noções de potência estruturada, ato e potência, colapso da função de onda, não-localidade, medição quântica e estatuto ontológico do espaço-tempo. Esses temas são confrontados criticamente com os sete axiomas modais da Teoria da Objetividade, seus elementos fenomênicos, seus Efeitos Indutores, seu teorema cosmogênico e suas Eras cosmológicas. A análise sustenta que o conceito de potência estruturada oferece uma ponte metafísica relevante para a ontologia modal da TO, particularmente na passagem da indeterminação à determinação, da possibilidade à fronteira fenomênica e da relação quântica à existência objetiva. Ao mesmo tempo, o artigo identifica tensões importantes, sobretudo quanto à distinção entre a metafísica tomista e a ontologia modal própria da TO, fundada axiomaticamente. Na Teoria da Objetividade, o elemento transcendente é interpretado como conhecimento ou informação produzida nas relações atômicas e equivalente às radiações atômicas. Nessa perspectiva, o colapso quântico pode ser lido como estabilização redutiva de uma possibilidade estruturada, enquanto a medição pode ser compreendida como uma fronteira observacional pela qual a informação se expressa objetivamente. Este texto analítico contou com o suporte analítico do ChatGPT. Palavras-chave: Teoria da Objetividade; Vidamor Cabannas; Denivaldo Silva; Gaëtan Cantale-Miège; Metaphysics For Quantum Mechanics; ontologia quântica; metafísica tomista; metafísica aristotélica; potência estruturada; ato e potência; colapso da função de onda; não-localidade; medição quântica; transcendência informacional; informação atômica; radiação atômica; Efeitos Indutores; ontologia modal; fronteira fenomênica; Theory of Objectivity; Eras cosmológicas; filosofia da física.
O recente afastamento radical das explicações tradicionais a respeito de fenômenos subatômicos tem levado cientistas e filósofos a ponderar com mais vagar se a renúncia à própria noção de determinismo e de conhecimento objetivo, tão cara para o cientificismo positivista, tratar-se-ia de mero expediente momentâneo e superável, ou mesmo, no dizer de Erwin Schrödinger, de “simples excentricidades filosóficas desesperadas em momento de grande crise”, ou se, pelo contrário, exigiria, na verdade, a revisão, revolucionária por também ser radical, de todos os pressupostos considerados até então como os mais fundamentais do próprio pensamento, o que inclui: o princípio da causalidade, da localidade, do terceiro excluído, da não-contradição e da identidade. A presente proposta visa acompanhar uma reflexão sobre os princípios quânticos da Incerteza de Heisenberg e da Complementaridade de Bohr, relacionando-os com a própria ontologia heideggeriana na medida em que estes dois últimos princípios se estabelecem, cada um a seu modo, como que perpassados pelo que Heidegger chamará de dubiedade insuperável de todo e qualquer perguntar original pelo Ser e, assim, procurando mostrar que o referido afastamento, muito distinto de mera excentricidade filosófica desesperada, se dá em virtude da conscientização contemporânea cada vez maior de que a incerteza e a probabilidade são aspectos inerentes à physis que como num jogo dúbio de mostrar e esconder incessante, exatamente como o “nunca dado desde sempre” heraclítico, impossibilita que qualquer conhecimento da realidade atômica possa ser considerado propriamente como objetivo, definitivo e isento, acenando na mesma direção da experiência e interpretação grega do Ser como fundamento oculto de nossa existência histórica.
Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.