Breves comentários dos físicos brasileiros Ulysses Câmara da Silva (Universidade Federal do Espírito Santo), Nelson Pinto Neto (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e Olival Freire (Universidade Federal da Bahia) acerca do Prêmio Nobel de Física de 2025, que ressalta trabalhos que demonstram propriedades quânticas em sistemas não microscópicos.
Breves comentários dos físicos brasileiros Ulysses Câmara da Silva (Universidade Federal do Espírito Santo), Nelson Pinto Neto (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e Olival Freire (Universidade Federal da Bahia) acerca do Prêmio Nobel de Física de 2025, que ressalta trabalhos que demonstram propriedades quânticas em sistemas não microscópicos.
Resumo O debate científico, quando conduzido de forma aberta e fundamentada em metodologia, é motor essencial do avanço do conhecimento. Um dos exemplos mais marcantes é o confronto intelectual entre Albert Einstein e Niels Bohr, iniciado nos anos 1920 e intensificado em 1935 com a publicação do paradoxo EPR e a réplica imediata de Bohr. No centro da controvérsia estava a natureza do emaranhamento quântico e sua relação com conceitos como localidade, realidade física e completude da teoria quântica. Décadas mais tarde, em 1964, John Bell formulou um teorema que permitia testar experimentalmente as “variáveis ocultas locais” defendidas por abordagens como a de EPR. As desigualdades de Bell abriram caminho para experimentos que, ao longo de décadas, buscaram eliminar brechas experimentais (loopholes) e culminaram, em 2015, na realização de testes loophole free que confirmaram as previsões quânticas. Em 2022, três físicos envolvidos nessas investigações receberam o Prêmio Nobel de Física “por experimentos com fótons emaranhados estabelecendo violações de desigualdades de Bell, sendo pioneiros na ciência da informação quântica”. Este artigo revisa, de forma sistemática e didática, os fundamentos necessários para compreender as desigualdades de Bell, discute suas implicações filosóficas, algumas aplicações e apresenta a evolução histórica que levou do debate Einstein–Bohr às comprovações experimentais modernas.
Resumo Tendo como um dos pilares fundamentais o princípio da incerteza de Heisenberg, a construção da Mecânica Quântica (MQ) levou Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen a formularem, em 1935, o famoso paradoxo EPR, que questionava a completude da teoria. Até 1964, não havia sequer em teoria um teste capaz de distinguir a MQ de hipóteses alternativas baseadas em variáveis ocultas locais. O artigo intitulado “Can Quantum Mechanical Description of Physical Reality Be Considered Complete?” apontava para a incompletude da MQ, diretamente ligada ao caráter probabilístico da teoria, ao qual Einstein se opunha frontalmente. Em 1964, John S. Bell formulou seu teorema, que tornou viáveis os testes experimentais das previsões da MQ. Na década de 1980, iniciaram-se os experimentos cruciais que confirmaram as previsões da MQ sobre o emaranhamento, inaugurando uma nova fase nos estudos sobre os fundamentos da teoria. Em 2022, John Clauser, Alain Aspect e Anton Zeilinger foram agraciados com o Prêmio Nobel de Física pela violação experimental das desigualdades de Bell. O presente trabalho consiste em uma revisão de trabalhos teórico-experimentais, tendo como foco o período de 87 anos que se inicia com a formulação do paradoxo EPR e culmina com a concessão do Prêmio Nobel de 2022. Ao longo da revisão histórica dos trabalhos, são discutidos e problematizados alguns dos tópicos de maior relevância para a teoria quântica, incluindo certas interpretações da MQ. Além dos referidos experimentos, abordaremos ao final dois trabalhos laureados com o Prêmio Nobel de 2012, num contexto de aplicações da MQ em informação e computação quânticas.
O texto toma como ponto de partida o Prêmio Nobel de Física de 2025, concedido a John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis pela observação de tunelamento quântico macroscópico e de níveis de energia discretos em circuitos supercondutores, para discutir o alcance e os limites do reducionismo na física contemporânea. Ao mostrar como efeitos quânticos típicos do microscópico se tornam acessíveis em dispositivos macroscópicos, o caso ilustra o sucesso da mecânica quântica em fundamentar tecnologias como a computação quântica e reforça a ambição de explicar sistemas cada vez mais complexos a partir de graus de liberdade elementares. A partir daí, o artigo interroga se e como essa estratégia pode ser estendida à mente e à consciência, sugerindo apenas de modo programático a possibilidade de níveis emergentes de descrição para fenômenos mentais, sem postular uma “nova física”, e defendendo a continuidade com o formalismo quântico padrão e com os critérios usuais e heterodoxos de testabilidade empírica.
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2025 como o Ano da Ciência e das Tecnologias Quânticas, em celebração ao centenário de um artigo científico revolucionário do físico alemão Werner Heisenberg.Publicado em 1925, este trabalho deu início a uma nova era na mecânica quântica, cujos efeitos moldaram e continuam influenciando a ciência e a tecnologia até hoje.O objetivo do Ano da Quântica é aumentar a conscientização entre o público e os tomadores de decisão sobre os impactos científicos, tecnológicos, culturais, éticos e socioeconômicos que a atual revolução quântica pode trazer em um futuro próximo.Neste artigo, exploraremos as fascinantes facetas da ciência quântica e os seus desafios. A Primeira Revolução QuânticaNo início do Século 20, à medida que os cientistas se aprofundavam no mundo microscópico da matéria, ficou evidente que as teorias físicas vigentes eram inadequadas para descrever o que era observado.Em 1900, o físico alemão Max Planck fez uma descoberta que mudaria a história da
Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um sistema experimental baseado em centros de nitrogênio-vacância (NV) em diamante, focado na implementação de portas lógicas quânticas a partir da integração com o Qiskit. A pesquisa fundamentou-se em três eixos principais: a reestruturação do controle experimental, o mapeamento de circuitos para pulsos físicos e a caracterização das propriedades de spin da amostra. A primeira etapa consistiu na otimização dos códigos de controle através de um pipeline de processamento em memória, que substituiu o modelo de aquisição passiva e eliminou gargalos de escrita em disco, reduzindo o tempo de preparação do sistema. Em seguida, desenvolveu-se um backend experimental integrado ao Qiskit BackendV2, capaz de traduzir circuitos abstratos em instruções binárias TTL sincronizadas para o controle de laser, micro-ondas e detecção óptica. A validação da infraestrutura foi realizada por meio de caracterização experimental, incluindo protocolos de ODMR, oscilações de Rabi e a determinação dos tempos de relaxação longitudinal (T1) e coerência transversal (T*2 e T2). Os resultados demonstram a execução funcional de portas de um qubit (X, H e Rx(θ)), estabelecendo uma plataforma que conecta a teoria da informação quântica à execução experimental e ao controle de centros NV.