A presente dissertação tem como objetivo expor as idéias de Werner Heisenberg (1901-1976) sobre a natureza das transformações conceituais advindas com o surgimento da física moderna. As teorias da relatividade e a mecânica quântica geraram graves debates sobre a relação entre os seus novos conceitos e aqueles pertencentes à física clássica, entre teoria e experiência, sobre o papel que então deteriam conceitos antes julgados como fundamentais, tais como os de espaço, tempo, propriedades e causalidade. Na primeira parte, nós expomos o modo como Heisenberg compreende a história do desenvolvimento da física moderna, bem como as variadas características dos problemas que a acompanharam. Na segunda parte, nós expomos as reflexões de Heisenberg sobre as relações entre os conceitos clássicos e os modernos, ao mesmo tempo em que analisamos as formas pelas quais esses conceitos influenciam nas mais variadas atividades humanas. Por fim, oferecemos algumas indicações sobre como se constitui um problema ao qual Heisenberg continuamente retorna: aquele que concerne à possibilidade do homem se orientar no mundo.
A presente dissertação tem como objetivo expor as idéias de Werner Heisenberg (1901-1976) sobre a natureza das transformações conceituais advindas com o surgimento da física moderna. As teorias da relatividade e a mecânica quântica geraram graves debates sobre a relação entre os seus novos conceitos e aqueles pertencentes à física clássica, entre teoria e experiência, sobre o papel que então deteriam conceitos antes julgados como fundamentais, tais como os de espaço, tempo, propriedades e causalidade. Na primeira parte, nós expomos o modo como Heisenberg compreende a história do desenvolvimento da física moderna, bem como as variadas características dos problemas que a acompanharam. Na segunda parte, nós expomos as reflexões de Heisenberg sobre as relações entre os conceitos clássicos e os modernos, ao mesmo tempo em que analisamos as formas pelas quais esses conceitos influenciam nas mais variadas atividades humanas. Por fim, oferecemos algumas indicações sobre como se constitui um problema ao qual Heisenberg continuamente retorna: aquele que concerne à possibilidade do homem se orientar no mundo.
Esta pesquisa procura problematizar a interpretação conceitual de Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em torno do problema da objetividade dos fenômenos quânticos, ou seja, em torno do antigo problema metafísico que remonta à filosofia grega, de investigar os últimos constituintes da natureza, o que, no caso de Heisenberg, significa indagar o estatuto filosófico-ontológico das vinte e cinco partículas elementares conhecidas em seu tempo. Heisenberg defende a ideia segundo a qual as partículas elementares são, em última instância, formas matemáticas que a energia deve assumir a fim de tornar-se matéria, o que aproxima sua interpretação ao modo como Platão concebia as formas puras, ou eidos. Nossa pesquisa procura problematizar a interpretação idealista de Heisenberg, e discutir as variadas facetas que estão envolvidas e implicadas neste seu posicionamento filosófico idealista. Por fim, defendemos a ideia da existência de uma tensão interna entre as posturas do filósofo Heisenberg que defende uma aproximação com as formas de Platão, para o problema da objetividade dos fenômenos quânticos, e do físico Heisenberg que aceita indiretamente um fundo objetivo material inerente aos fenômenos quânticos. Defendemos ainda que a estratégia de superação dessa tensão interna entre a física e filosofia, ou entre matéria e forma, em Heisenberg, constitui-se no que denominamos de atitude pragmática de Heisenberg, que consiste em preservar, simultaneamente, uma posição epistemológica-positivista no âmbito da física quântica, o que significa manter-se nos estreitos limites do que é possível conhecer pela observação, e uma posição ontológico-metafísica, no âmbito da filosofia, isto é, a posição de buscar as respostas últimas em relação a tudo o que existe.
Podemos facilmente constatar que o desenvolvimento das principais teorias do conhecimento do período moderno da filosofia ocidental guardou uma estreita relação com o status quo do desenvolvimento da matemática e das ciências de uma maneira geral. Essa característica é sobretudo evidente no projeto kantiano de fornecer as bases filosóficas para explicar a possibilidade da geometria (euclidiana) e da física newtoniana, as quais Kant fundamentou sob princípios os quais considerou condições sine qua non do conhecimento humano. Contudo, a física que se desenvolveu na primeira metade do século XX apresentou situações em que os próprios físicos tiveram que se questionar acerca dos problemas epistemológicos envolvidos na descrição, interpretação, e em última instância, na comunicação dos fenômenos observados, de modo que alguns conceitos caros à epistemologia tradicional se mostraram ora inválidos, ora ineficientes para explicar a possibilidade de conhecimento objetivo diante desse novo conjunto de fenômenos. Portanto, gostaríamos de apresentar de maneira breve de que modo ocorre essa contraposição entre epistemologia tradicional e teoria quântica, bem como o modo como os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg lidaram com a nova situação que se apresentava.
O presente ensaio resulta de uma indagação introdutória e parcimoniosa acerca da transformação da mundividência científica e epistemológica no século XX. Em primeira instância, são analisados os conceitos fundacionais da Relatividade Restrita e da Relatividade Geral, visando elencar as principais dissonâncias entre a proposta científica de Albert Einstein e a cosmovisão estabelecida pela física clássica. De seguida, é invocada a célebre experiência de Edwin Hubble, responsável pela origem da Teoria do Big-Bang. Como não poderia deixar de ser, esta é também alvo de uma examinação cuidadosa. Por fim, a reflexão estende-se ao domínio indeterminista da mecânica quântica, com o propósito de perscrutar os seus princípios fundamentais. Por forma a assegurar o cumprimento deste desígnio, o trabalho não se furta à exigência de aflorar certos traços elementares das doutrinas de Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em suma, o breve estudo que aqui se presentifica procura, sobretudo, trazer à coação os elementos teóricos que ancoram o entendimento da física e da cosmologia nos nossos dias, problematizando, quando necessário, algumas das suas inferências.
O tempo está em todo lugar. Um conceito tão onipresente e natural para nós, seres humanos, que raramente indagamos sobre a sua natureza. Para a ciência, existe a necessidade clara de se entender cada vez mais sobre a estrutura fundamental do mundo a nossa volta, de modo que um entendimento completo sobre o tempo certamente é um objetivo nobre para a Física. Nesta dissertação, investigamos o conceito do tempo a partir da perspectiva de dois paradigmas fundamentalmente conflitantes: o relativístico e o quântico. Se por um lado a Relatividade Geral permite caracterizar tempo como aquilo medido por relógios honestos - aparatos pontuais que não atrasam nem adiantam independentemente de suas histórias passadas -, por outro, as leis da Mecânica Quântica proibem a existência dos mesmos na natureza. Nossa proposta é fornecer um entendimento preciso da razão de tal proibição, bem como uma perspectiva sólida do papel do tempo na teoria quântica enquanto uma quantidade passível de medição;
vieram ao Brasil para trabalhar com Bohm, enquanto Léon Rosenfeld veio para estabelecer o contraponto entre a interpretação causal e a visão da complementaridade patrocinada pelo físico dinamarquês Niels Bohr.Ainda na década de 1960 foi a vez de Klaus Tausk, professor da USP, envolver-se em acirrada controvérsia com físicos italianos e com Rosenfeld sobre o problema da medição na Teoria Quântica.Pouco depois, o físico brasileiro José Leite Lopes, exilado em Estrasburgo, na França, junto com o físico francês Michel Paty, promoviam evento, que gerou o livro Quantum mechanics -a half century later, que contribuiu para criar um espaço favorável à pesquisa sobre os fundamentos da Teoria Quântica.Recentemente, os desenvolvimentos teóricos sobre o efeito descoerência e o experimento tipo "gato de Schrödinger", que testou pela primeira vez esse efeito, contam entre seus protagonistas com os físicos brasileiros Amir Caldeira e Luiz Davidovich.Os capítulos deste livro estão organizados em quatro partes.A primeira, intitulada História da teoria quântica -desenvolvimentos e fundamentos, reúne artigos com uma abordagem eminentemente histórica sobre aspectos da pesquisa em Teoria Quântica na segunda metade do século XX.A segunda parte, Implicações filosóficas da teoria quântica, está integrada por textos essencialmente filosóficos, versando sobre a interpretação da Teoria Quântica.As Implicações culturais e educacionais da teoria quântica, terceira parte, referem-se a fenômenos, como o "misticismo quântico," a presença da quântica no teatro e o ensino dessa teoria física.Por fim, a última parte, Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa, está composta por trabalhos históricos que exploram o período da construção da Teoria no início do século XX, bem como trabalhos que mesclam abordagens históricas com possibilidades atuais de desenvolvimento da pesquisa em seus fundamentos.O livro compreende 21 capítulos e 28 autores, divididos entre brasileiros e estrangeiros, em proporções aproximadamente iguais.Reúne desde pesquisadores-sênior a estudantes de pós-graduação.Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados em versões preliminares, no workshop que dá origem ao livro.As versões preliminares foram submetidas a um processo de arbitragem e seleção, conduzido pelos organizadores do volume, de modo que esses textos representam um esforço coletivo de discussão e elaboração que teve início naquele workshop e que se prolongou por quase um ano e meio.
RESUMO O tema do antirrealismo ortodoxo na aurora da mecânica quântica nasce da perspectiva de discutir o problema que envolve o embate entre realismo e antirrealismo nos primórdios da mecânica quântica, especialmente no interior da interpretação de Copenhague, liderada por Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em termos gerais, objetiva-se evidenciar pressupostos ontológicos e os conceitos metafísicos empregados nas diversas concepções que compõe a interpretação supramencionada, particularmente, o princípio da incerteza de Heisenberg. A metodologia para tal análise será uma revisão de literatura, portanto, uma pesquisa bibliográfica, baseada no que há de mais atual sobre o tema em epígrafe. O que se intenta com o presente artigo é demonstrar como o realismo e antirrealismo, enquanto perspectivas filosóficas, versam sobre a natureza da realidade e a relação entre conceitos teóricos e observações empíricas. O realismo apresenta uma visão que postula a existência da realidade objetiva e independente das observações humanas e o antirrealismo sustenta que os conceitos teóricos e entidades propostas por teorias científicas não podem ter uma correspondência direta com a realidade, independente das observações. Nesse trabalho o leitor verá uma discussão sobre essas duas vertentes nos primórdios da mecânica quântica e suas consequências para o entendimento do mundo dos quanta. Palavras-chave: Antirrealismo, incerteza, mecânica quântica.