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Entre a matéria e a forma: o problema da objetividade dos fenômenos quânticos em Werner Heisenberg

João Cabral

Published Dec 11, 2019• 0 citations
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Abstract

Esta pesquisa procura problematizar a interpretação conceitual de Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em torno do problema da objetividade dos fenômenos quânticos, ou seja, em torno do antigo problema metafísico que remonta à filosofia grega, de investigar os últimos constituintes da natureza, o que, no caso de Heisenberg, significa indagar o estatuto filosófico-ontológico das vinte e cinco partículas elementares conhecidas em seu tempo. Heisenberg defende a ideia segundo a qual as partículas elementares são, em última instância, formas matemáticas que a energia deve assumir a fim de tornar-se matéria, o que aproxima sua interpretação ao modo como Platão concebia as formas puras, ou eidos. Nossa pesquisa procura problematizar a interpretação idealista de Heisenberg, e discutir as variadas facetas que estão envolvidas e implicadas neste seu posicionamento filosófico idealista. Por fim, defendemos a ideia da existência de uma tensão interna entre as posturas do filósofo Heisenberg que defende uma aproximação com as formas de Platão, para o problema da objetividade dos fenômenos quânticos, e do físico Heisenberg que aceita indiretamente um fundo objetivo material inerente aos fenômenos quânticos. Defendemos ainda que a estratégia de superação dessa tensão interna entre a física e filosofia, ou entre matéria e forma, em Heisenberg, constitui-se no que denominamos de atitude pragmática de Heisenberg, que consiste em preservar, simultaneamente, uma posição epistemológica-positivista no âmbito da física quântica, o que significa manter-se nos estreitos limites do que é possível conhecer pela observação, e uma posição ontológico-metafísica, no âmbito da filosofia, isto é, a posição de buscar as respostas últimas em relação a tudo o que existe.

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The idea of transformation in Werner Heisenberg

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A presente dissertação tem como objetivo expor as idéias de Werner Heisenberg (1901-1976) sobre a natureza das transformações conceituais advindas com o surgimento da física moderna. As teorias da relatividade e a mecânica quântica geraram graves debates sobre a relação entre os seus novos conceitos e aqueles pertencentes à física clássica, entre teoria e experiência, sobre o papel que então deteriam conceitos antes julgados como fundamentais, tais como os de espaço, tempo, propriedades e causalidade. Na primeira parte, nós expomos o modo como Heisenberg compreende a história do desenvolvimento da física moderna, bem como as variadas características dos problemas que a acompanharam. Na segunda parte, nós expomos as reflexões de Heisenberg sobre as relações entre os conceitos clássicos e os modernos, ao mesmo tempo em que analisamos as formas pelas quais esses conceitos influenciam nas mais variadas atividades humanas. Por fim, oferecemos algumas indicações sobre como se constitui um problema ao qual Heisenberg continuamente retorna: aquele que concerne à possibilidade do homem se orientar no mundo.

•Feb 29, 2008•0 citations

HEISENBERG E A FILOSOFIA GREGA

MARIETA TUNES DANTAS

[pt] A dissertação tem por objetivo mostrar a importância e a significação da referência à filosofia grega no pensamento de Werner Heisenberg, um dos principais fundadores da mecânica quântica. A referência aos gregos, constante em seus escritos, deve ser primeiramente situada no contexto da crítica à modernidade, uma das diretrizes herdadas de Niels Bohr e uma das características mais fundamentais da filosofia de Heisenberg. Isto é, o pensamento grego é, para Heisenberg, um contraponto aos fundamentos da filosofia moderna, cujos limites são intransponíveis no que diz respeito à compreensão dos problemas apresentados pela física moderna. Acreditamos, no entanto, ser possível afirmar que as constantes referências, sobretudo a Platão e Aristóteles, têm também um papel fundamental no que diz respeito à caracterização do nível de realidade próprio à mecânica quântica.

•Sep 12, 2005•0 citations

Crise Epistemológica da Teoria Quântica

João Renato Amorim Feitosa

Podemos facilmente constatar que o desenvolvimento das principais teorias do conhecimento do período moderno da filosofia ocidental guardou uma estreita relação com o status quo do desenvolvimento da matemática e das ciências de uma maneira geral. Essa característica é sobretudo evidente no projeto kantiano de fornecer as bases filosóficas para explicar a possibilidade da geometria (euclidiana) e da física newtoniana, as quais Kant fundamentou sob princípios os quais considerou condições sine qua non do conhecimento humano. Contudo, a física que se desenvolveu na primeira metade do século XX apresentou situações em que os próprios físicos tiveram que se questionar acerca dos problemas epistemológicos envolvidos na descrição, interpretação, e em última instância, na comunicação dos fenômenos observados, de modo que alguns conceitos caros à epistemologia tradicional se mostraram ora inválidos, ora ineficientes para explicar a possibilidade de conhecimento objetivo diante desse novo conjunto de fenômenos. Portanto, gostaríamos de apresentar de maneira breve de que modo ocorre essa contraposição entre epistemologia tradicional e teoria quântica, bem como o modo como os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg lidaram com a nova situação que se apresentava.

Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea•Apr 30, 2022•0 citations

A disciplina modal da mecânica quântica: uma leitura crítico–propositiva da bibliografia fundante quântica em confronto com a Teoria da Objetividade

Vidamor Cabannas, Denivaldo Silva

Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea

•Mar 18, 2026•0 citations

A (META)METAFÍSICA DA CIÊNCIA: O CASO DA MECÂNICA QUÂNTICA NÃO RELATIVISTA

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RESUMO Tradicionalmente, ser realista sobre algo significa crer na existência independente desse algo. Em termos ontológicos, isto é, acerca do que há, o realismo científico pode ser entendido como envolvendo a adoção de uma ontologia que seja cientificamente informada. Mas, segundo alguns filósofos, a atitude realista deve ir além da ontologia. A forma como essa exigência tem sido entendida envolve fornecer uma metafísica para as entidades postuladas pela ciência. Discutimos como duas abordagens em voga encaram o desafio de fornecer uma metafísica para a ciência: uma forma de naturalismo e a abordagem Viking/Toolbox. Por fim, apresentamos uma terceira via, que adota o melhor das duas abordagens: o método metapopperiano, que foca em descartarmos quais as alternativas erradas, ou melhor dizendo, os perfis metafísicos incompatíveis com certas teorias. Apresentamos o método metapopperiano, um método de metametafísica capaz de avaliar objetivamente quais os perfis metafísicos que são incompatíveis com certas teorias científicas. Para isso, usaremos como estudo de caso a mecânica quântica, mostrando resultados obtidos previamente. Com esse método, podemos ver como a ciência pode ser usada para evitar o erro em questões metafísicas. Essa seria, na nossa opinião, uma forma de desenvolver uma relação produtiva entre ciência e metafísica.

Kriterion Revista de Filosofia•Aug 1, 2022•0 citations

Werner Heisenberg e a Interpretação de Copenhague: a filosofia platônica e a consolidação da teoria quântica

Anderson Cleiton Fernandes Leite, Samuel J. Simon

Este artigo discute o uso que Werner Heisenberg faz da filosofia grega clássica no âmbito dos debates acerca da teoria quântica realizados na primeira metade do século xx. Para esse autor, a ciência foi determinada pelo influxo de duas correntes de pensamento que surgiram na Grécia antiga: o materialismo e o idealismo. A partir de tal clivagem, Heisenberg fundamenta sua crítica aos opositores da Interpretação de Copenhague, além de justificar filosoficamente suas próprias teses sobre a mecânica quântica. Apesar de suas concepções filosóficas não serem passíveis de uma sistematização completa, a relação que Heisenberg estabeleceu entre a filosofia grega e os problemas da teoria dos quanta acabou por resultar em uma interpretação da realidade física na qual é predominante um platonismo e um incipiente estruturalismo matemático.

Scientiae Studia•Jun 1, 2010•3 citations
Esta pesquisa procura problematizar a interpretação conceitual de Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em torno do problema da objetividade dos fenômenos quânticos, ou seja, em torno do antigo problema metafísico que remonta à filosofia grega, de investigar os últimos constituintes da natureza, o que, no caso de Heisenberg, significa indagar o estatuto filosófico-ontológico das vinte e cinco partículas elementares conhecidas em seu tempo. Heisenberg defende a ideia segundo a qual as partículas elementares são, em última instância, formas matemáticas que a energia deve assumir a fim de tornar-se matéria, o que aproxima sua interpretação ao modo como Platão concebia as formas puras, ou eidos. Nossa pesquisa procura problematizar a interpretação idealista de Heisenberg, e discutir as variadas facetas que estão envolvidas e implicadas neste seu posicionamento filosófico idealista. Por fim, defendemos a ideia da existência de uma tensão interna entre as posturas do filósofo Heisenberg que defende uma aproximação com as formas de Platão, para o problema da objetividade dos fenômenos quânticos, e do físico Heisenberg que aceita indiretamente um fundo objetivo material inerente aos fenômenos quânticos. Defendemos ainda que a estratégia de superação dessa tensão interna entre a física e filosofia, ou entre matéria e forma, em Heisenberg, constitui-se no que denominamos de atitude pragmática de Heisenberg, que consiste em preservar, simultaneamente, uma posição epistemológica-positivista no âmbito da física quântica, o que significa manter-se nos estreitos limites do que é possível conhecer pela observação, e uma posição ontológico-metafísica, no âmbito da filosofia, isto é, a posição de buscar as respostas últimas em relação a tudo o que existe.
A presente dissertação tem como objetivo expor as idéias de Werner Heisenberg (1901-1976) sobre a natureza das transformações conceituais advindas com o surgimento da física moderna. As teorias da relatividade e a mecânica quântica geraram graves debates sobre a relação entre os seus novos conceitos e aqueles pertencentes à física clássica, entre teoria e experiência, sobre o papel que então deteriam conceitos antes julgados como fundamentais, tais como os de espaço, tempo, propriedades e causalidade. Na primeira parte, nós expomos o modo como Heisenberg compreende a história do desenvolvimento da física moderna, bem como as variadas características dos problemas que a acompanharam. Na segunda parte, nós expomos as reflexões de Heisenberg sobre as relações entre os conceitos clássicos e os modernos, ao mesmo tempo em que analisamos as formas pelas quais esses conceitos influenciam nas mais variadas atividades humanas. Por fim, oferecemos algumas indicações sobre como se constitui um problema ao qual Heisenberg continuamente retorna: aquele que concerne à possibilidade do homem se orientar no mundo.
[pt] A dissertação tem por objetivo mostrar a importância e a significação da referência à filosofia grega no pensamento de Werner Heisenberg, um dos principais fundadores da mecânica quântica. A referência aos gregos, constante em seus escritos, deve ser primeiramente situada no contexto da crítica à modernidade, uma das diretrizes herdadas de Niels Bohr e uma das características mais fundamentais da filosofia de Heisenberg. Isto é, o pensamento grego é, para Heisenberg, um contraponto aos fundamentos da filosofia moderna, cujos limites são intransponíveis no que diz respeito à compreensão dos problemas apresentados pela física moderna. Acreditamos, no entanto, ser possível afirmar que as constantes referências, sobretudo a Platão e Aristóteles, têm também um papel fundamental no que diz respeito à caracterização do nível de realidade próprio à mecânica quântica.
Podemos facilmente constatar que o desenvolvimento das principais teorias do conhecimento do período moderno da filosofia ocidental guardou uma estreita relação com o status quo do desenvolvimento da matemática e das ciências de uma maneira geral. Essa característica é sobretudo evidente no projeto kantiano de fornecer as bases filosóficas para explicar a possibilidade da geometria (euclidiana) e da física newtoniana, as quais Kant fundamentou sob princípios os quais considerou condições sine qua non do conhecimento humano. Contudo, a física que se desenvolveu na primeira metade do século XX apresentou situações em que os próprios físicos tiveram que se questionar acerca dos problemas epistemológicos envolvidos na descrição, interpretação, e em última instância, na comunicação dos fenômenos observados, de modo que alguns conceitos caros à epistemologia tradicional se mostraram ora inválidos, ora ineficientes para explicar a possibilidade de conhecimento objetivo diante desse novo conjunto de fenômenos. Portanto, gostaríamos de apresentar de maneira breve de que modo ocorre essa contraposição entre epistemologia tradicional e teoria quântica, bem como o modo como os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg lidaram com a nova situação que se apresentava.
Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea
RESUMO Tradicionalmente, ser realista sobre algo significa crer na existência independente desse algo. Em termos ontológicos, isto é, acerca do que há, o realismo científico pode ser entendido como envolvendo a adoção de uma ontologia que seja cientificamente informada. Mas, segundo alguns filósofos, a atitude realista deve ir além da ontologia. A forma como essa exigência tem sido entendida envolve fornecer uma metafísica para as entidades postuladas pela ciência. Discutimos como duas abordagens em voga encaram o desafio de fornecer uma metafísica para a ciência: uma forma de naturalismo e a abordagem Viking/Toolbox. Por fim, apresentamos uma terceira via, que adota o melhor das duas abordagens: o método metapopperiano, que foca em descartarmos quais as alternativas erradas, ou melhor dizendo, os perfis metafísicos incompatíveis com certas teorias. Apresentamos o método metapopperiano, um método de metametafísica capaz de avaliar objetivamente quais os perfis metafísicos que são incompatíveis com certas teorias científicas. Para isso, usaremos como estudo de caso a mecânica quântica, mostrando resultados obtidos previamente. Com esse método, podemos ver como a ciência pode ser usada para evitar o erro em questões metafísicas. Essa seria, na nossa opinião, uma forma de desenvolver uma relação produtiva entre ciência e metafísica.
Este artigo discute o uso que Werner Heisenberg faz da filosofia grega clássica no âmbito dos debates acerca da teoria quântica realizados na primeira metade do século xx. Para esse autor, a ciência foi determinada pelo influxo de duas correntes de pensamento que surgiram na Grécia antiga: o materialismo e o idealismo. A partir de tal clivagem, Heisenberg fundamenta sua crítica aos opositores da Interpretação de Copenhague, além de justificar filosoficamente suas próprias teses sobre a mecânica quântica. Apesar de suas concepções filosóficas não serem passíveis de uma sistematização completa, a relação que Heisenberg estabeleceu entre a filosofia grega e os problemas da teoria dos quanta acabou por resultar em uma interpretação da realidade física na qual é predominante um platonismo e um incipiente estruturalismo matemático.