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Perspectivas

dualidade onda-partícula na perspectiva de Niels Bohr

Rodolfo Carvalho Neto

Published Jan 8, 2023• 0 citations
Publisher

Abstract

Este artigo tem como objetivo discutir a Dualidade Onda-Partícula e o Princípio da Incerteza como expressões de uma ideia mais geral de natureza interpretativa: o Princípio de Complementaridade, formulado pelo físico dinamarquês Niels Bohr. Trata-se, conforme defenderemos, de uma interpretação antirrealista que é fundada na objetividade da Física. A impossibilidade de utilização simultânea das leis de conservação de energia e momento (asserção de causalidade) e da coordenação espaço-temporal será problematizada, analisando-se uma possível incompatibilidade desta complementaridade com o antirrealismo. Discute-se, ainda, o processo de medição quântica numa perspectiva conceitual e epistemológica, e o significado da constante de Planck, enfatizando a ideia de que, nesta interpretação ortodoxa, o vetor de estado, que contém todas as informações do sistema, tem um significado meramente epistêmico. Assim, no que pese a extraordinária precisão com que a teoria quântica permite predizer e comunicar resultados de uma medida em um contexto experimental bem definido, a teoria não se ocupa de responder o que é o objeto quântico, no sentido ontológico, conferindo-lhe assim seu aspecto antirrealista e, ao mesmo tempo, objetivo.

DOI
10.20873/rpv7n2-51

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O desenvolvimento da teoria quântica, na primeira metade do século passado, acendeu um debate acalorado entre filósofos e físicos sobre a natureza das leis físicas e, em especial, sobre a validade do princípio de causalidade. Tendo em vista a teoria de Planck sobre a radiação, a interpretação probabilista de Max Born, as relações de incerteza de Heisenberg e o princípio de complementaridade de Bohr, muitos físicos colocaram em dúvida a causalidade clássica, cuja legitimidade parecia a princípio não mais estar assegurada no domínio quântico. O objetivo deste artigo é apresentar e discutir as diferentes posições em torno desse debate. Serão analisados, além dos argumentos levantados pelos intérpretes de Copenhague, aqueles sustentados por neopositivistas e neokantianos. Procuraremos mostrar que, a despeito dos antagonismos filosóficos, a posição adotada por Schlick nesse debate parece estar mais próxima de Cassirer do que de seu colaborador Reichenbach.
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