Neste ensaio, eu vou apresentar um exemplo de fenômeno físico contrafactual. Mais precisamente, definição contrafactual e medições livres de interação em mecânica quântica. O exemplo usado será o experimento de teste de bombas Elitzur-Vaidman, que mostra como podemos sondar as propriedades dos objetos, mesmo quando não foram medidos, por exemplo, medições contrafactuais. Esse tipo de fenômeno físico parece operar pelas mesmas leis de causalidade que o raciocínio contrafactual na tomada de decisões. Afinal, como algo que não acontece pode afetar o mundo real? Sugiro que algumas ferramentas matemáticas usadas na mecânica quântica podem ser de interesse para aqueles que desejam modelar melhor as possibilidades contrafactuais no processo de decisão ou filósofos interessados em entender melhor as implicações metafísicas da mecânica quântica.
Neste ensaio, eu vou apresentar um exemplo de fenômeno físico contrafactual. Mais precisamente, definição contrafactual e medições livres de interação em mecânica quântica. O exemplo usado será o experimento de teste de bombas Elitzur-Vaidman, que mostra como podemos sondar as propriedades dos objetos, mesmo quando não foram medidos, por exemplo, medições contrafactuais. Esse tipo de fenômeno físico parece operar pelas mesmas leis de causalidade que o raciocínio contrafactual na tomada de decisões. Afinal, como algo que não acontece pode afetar o mundo real? Sugiro que algumas ferramentas matemáticas usadas na mecânica quântica podem ser de interesse para aqueles que desejam modelar melhor as possibilidades contrafactuais no processo de decisão ou filósofos interessados em entender melhor as implicações metafísicas da mecânica quântica.
RESUMO Tradicionalmente, ser realista sobre algo significa crer na existência independente desse algo. Em termos ontológicos, isto é, acerca do que há, o realismo científico pode ser entendido como envolvendo a adoção de uma ontologia que seja cientificamente informada. Mas, segundo alguns filósofos, a atitude realista deve ir além da ontologia. A forma como essa exigência tem sido entendida envolve fornecer uma metafísica para as entidades postuladas pela ciência. Discutimos como duas abordagens em voga encaram o desafio de fornecer uma metafísica para a ciência: uma forma de naturalismo e a abordagem Viking/Toolbox. Por fim, apresentamos uma terceira via, que adota o melhor das duas abordagens: o método metapopperiano, que foca em descartarmos quais as alternativas erradas, ou melhor dizendo, os perfis metafísicos incompatíveis com certas teorias. Apresentamos o método metapopperiano, um método de metametafísica capaz de avaliar objetivamente quais os perfis metafísicos que são incompatíveis com certas teorias científicas. Para isso, usaremos como estudo de caso a mecânica quântica, mostrando resultados obtidos previamente. Com esse método, podemos ver como a ciência pode ser usada para evitar o erro em questões metafísicas. Essa seria, na nossa opinião, uma forma de desenvolver uma relação produtiva entre ciência e metafísica.
O presente artigo visa expor as principais teorias do campo da física quântica, assim como suas implicações ontológicas. Não se busca, aqui, uma interlocução com teorias metafísicas estabelecidas no campo da filosofia, nem mesmo uma exploração extensa da bibliografia estabelecida nas ciências. Foi usado um livro para a exposição geral das teorias, de seus desdobramentos e de suas consequências. No caso, trata-se do livro Quantum ontology: A guide to the metaphysics of quantum mechanics, de Peter J. Lewis. Foi privilegiada, portanto, uma abordagem em que a abrangência foi preferida em relação à profundidade. Um cotejamento cuidadoso com outras teorias metafísicas teria trazido uma visão mais específica dos possíveis problemas de fundo presentes tanto na ontologia (nas ontologias) derivadas da mecânica quântica quanto nas teorias cotejadas, mas a consequência seria retirar apresentações de outras possibilidades presentes dentro da própria teoria da mecânica quântica. Preferimos, portanto, apresentar um panorama amplo, de modo a contextualizar o leitor dentro de um campo de pesquisa, e deixar aprofundamentos específicos para outra oportunidade.
A idéia de determinismo, proposta para estender e generalizar a causalidade física pelo acréscimo em particular da consideração das condições iniciais, constituiu-se desde então na referência ideal de todo conhecimento científico e foi considerada como insuperável. Todavia, esse ideal ver-se-á superado em várias direções: pelas modificações subseqüentes à causalidade relativística; pelos sistemas dinâmicos "não-lineares" deterministas, cujo comportamento pode no final ser totalmente não-previsível; pelos problemas levantados pela física quântica ("redução" da função de estado e predições probabilistas). Os dois últimos casos tornam evidentes os limites das noções de causalidade e de determinismo, mostrando que o conhecimento atual pode superá-las em muito, além de sugerirem interrogações a respeito do sentido realmente físico das grandezas utilizadas na teoria. Quando consideramos as grandezas mais significativas do ponto de vista das características dos fenômenos físicos, a causalidade se apresenta diferente e o determinismo se mostra antropologicamente centrado e ineficiente. Deixam, desse modo, lugar à consideração dessa outra categoria mais significativa, a saber, a de necessidade, que independe de nossas escolhas conceituais e teóricas e tem, ao mesmo tempo, a capacidade de regulá-las.
O tempo está em todo lugar. Um conceito tão onipresente e natural para nós, seres humanos, que raramente indagamos sobre a sua natureza. Para a ciência, existe a necessidade clara de se entender cada vez mais sobre a estrutura fundamental do mundo a nossa volta, de modo que um entendimento completo sobre o tempo certamente é um objetivo nobre para a Física. Nesta dissertação, investigamos o conceito do tempo a partir da perspectiva de dois paradigmas fundamentalmente conflitantes: o relativístico e o quântico. Se por um lado a Relatividade Geral permite caracterizar tempo como aquilo medido por relógios honestos - aparatos pontuais que não atrasam nem adiantam independentemente de suas histórias passadas -, por outro, as leis da Mecânica Quântica proibem a existência dos mesmos na natureza. Nossa proposta é fornecer um entendimento preciso da razão de tal proibição, bem como uma perspectiva sólida do papel do tempo na teoria quântica enquanto uma quantidade passível de medição;
Paul Karl Feyerabend (1924-1994) foi um físico e filósofo austríaco mundialmente conhecido por sua obra Contra o Método (1975). Apesar da notoriedade do enfant terrible da filosofia da ciência (uma das alcunhas adquiridas em razão de seus posicionamentos) vir a partir desta obra, os debates contidos nela (e em outras de suas obras) possuem uma origem um tanto curiosa: a mecânica quântica. Sendo formado em física pela Universidade de Viena, os 22 anos iniciais da vida profissional do autor tinham como um de seus principais temas a mecânica quântica, em especial as versões elaboradas por Niels Bohr, Werner Heisenberg, Wolfgang Pauli, Erwin Schrödinger e Albert Einstein. A partir da mecânica quântica, Feyerabend foi capaz de experimentar e estruturar temas que lhes foram caros por toda sua vida, como: realismo, relação entre física e metafísica, relação entre ciência e sociedade, dentre outros. O presente artigo tem como objetivo apresentar de que maneira Feyerabend extrai e estrutura suas discussões desta área tão complexa, utilizando, sempre que possível, citações diretas do físico-filósofo, a fim de uma melhor caracterização do seu pensamento. Desta forma, espera-se que aqueles que não conhecem o autor, possam ter uma visão geral da tônica de suas discussões, bem como debates filosóficos podem ser construídos a partir da mecânica quântica.
Propriedades físicas associadas aos fenômenos de superposição e interferência quântica têm, ao passar dos anos, se mostrado em direta oposição com a nossa intuição clássica. Neste trabalho, à parte de uma breve revisão sobre as peculiaridades associadas aos fenômenosde superposição quântica e suas consequências, apresentamos e propomos um experimento original no contexto de interferência quântica com o qual introduzimos pela primeira vez a noção de 'Forças Anômalas' existentes em um contexto quântico. Em particular, discutimos como se torna possível que um objeto físico quântico adquira momento linear em um sentido 'errado', após ter interagido ou não com outro sistema físico conhecido dentro de um interfer ômetro. Mostramos como, nesse contexto, o efeito de superposição de uma força positiva (em um braço do interferômetro) e uma força nula (no braço alternativo) 'gera uma forçaresultante negativa' sobre um objeto físico. Quando essa noção é aplicada para dois elétrons dentro de um interferômetro, torna-se então possível simular uma atração elétrica entre dois elétrons em um contexto quântico. O trabalho aqui apresentado foi inspirado em um artigo publicado em 2013 por Aharonov et. al. [1], no qual os autores discutem a existência de uma pressão de radiação negativa de fótons em um espelho quântico. Nesse texto, argumentamos em como esse fenômeno aparentemente ilógico é possível, sendo derivado diretamente de propriedades contra intuitivas da interferência quântica, e propomos uma versão do experimento usando interferência com elétrons com o qual acreditamos que resultados análogos possam ser observados em laboratório.