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Aspectos de modelos eletrônicos bidimensionais fortemente correlacionados: aplicações em cupratos supercondutores

Vanuildo Silva de Carvalho

Published Jun 6, 2016• 0 citations
OpenAlex

Abstract

Investigamos aqui as propriedades de baixa energia de dois modelos eletronicos fortemente correlacionados em duas dimensoes espaciais. O primeiro deles consiste em uma versao do modelo de Hubbard em que sao considerados apenas os graus de liberdade do sistema na vizinhanca dos chamados hot spots, que sao definidos como a interseccao da superficie de Fermi do modelo com a zona antiferromagnetica. Inicialmente, definimos a nossa teoria linearizando a dispersao do modelo nos hot spots e consideramos todos os processos de interacao entre essas regioes que conservam momento a menos de um vetor da rede reciproca. Para acessar a fisica do modelo, recorremos entao ao metodo de grupo de renormalizacao de teoria de campos e derivamos as equacoes de fluxo para os acoplamentos na aproximacao de dois loops. Como resultado, obtemos que a superficie de Fermi do modelo sofre forte renormalizacao nos hot spots, ao mesmo tempo que os acoplamentos renormalizados fluem para um ponto fixo nao trivial no limite de baixa energia. Sugerimos entao que esse sistema pode ser visto como um exemplo de um liquido de nao-Fermi em duas dimensoes espaciais, devido a ausencia de excitacoes fermionicas do tipo quasiparticula bem definidas na regiao proxima aos hot spots. Alem disso, resolvemos a equacao de Callan- Symanzik para a funcao de Green de uma particula na aproximacao de dois loops, calculamos a densidade de estados nos hot spots, e derivamos as equacoes de grupo de renormalizacao para os parâmetros de ordem das possiveis instabilidades que podem, eventualmente, ocorrer no sistema em baixas energias. Verificamos que o sistema pode ser caracterizado, nesse regime, em termos de uma simetria emergente de pseudospin [SU(2)]4, que leva ao aparecimento de ordens emaranhadas na regiao proxima ao ponto fixo nao trivial do modelo. Mostramos tambem que as excitacoes fermionicas nas regioes adjacentes aos hot spots adquirem um gap nos espectros de excitacao de carga e spin. Devido a isso, argumentamos que a superficie de Fermi do modelo pode ser reconstruida, levando assim a formacao de arcos de Fermi ou pockets eletronicos. O segundo modelo analisado nesta tese foi o modelo de tres bandas de Emery, que descreve todos processos de interacao entre as excitacoes fermionicas localizadas nos orbitais do cobre (Cu) e do oxigenio (O) na celula unitaria de CuO2. Atraves de uma transformada de Hubbard-Stratonovich, introduzimos dois parâmetros de ordem no sistema: um para a chamada fase de corrente de loop do tipo ΘII, que viola a simetria de reversao temporal Z2, e outro para a fase emaranhada com simetria dx 2 -y 2 envolvendo a instabilidade supercondutora do tipo singleto e a ordem de densidade de carga quadrupolar, cujo vetor de onda aponta na direcao da diagonal da zona de Brillouin. Minimizando a energia livre do modelo, derivamos as equacoes auto-consistentes de campo medio para esses parâmetros de ordem. A solucao dessas equacoes para o regime de temperatura nula mostra que as duas fases competem entre si pela mesma regiao do espaco de fase e, consequentemente, o sistema tende a nao exibir coexistencia entre as mesmas. Argumentamos que esse efeito pode ser a principal razao para o fato de a fase onda de densidade quadrupolar nunca ter sido observada em experimentos realizados nos cupratos supercondutores. Em seguida, analisamos a competicao entre as fases de corrente de loop do tipo ΘII, observada experimentalmente, e ordem de carga com simetria dx2-y2 e vetores de onda na direcao dos eixos principais da zona de Brillouin. Como resultado, obtemos que o sistema exibe coexistencia apenas entre as fases de corrente de loop do tipo ΘII e ordem de carga bidirecional. Devido a existencia de uma simetria de pseudospin nesse modelo, confirmamos tambem que a fase de corrente de loop do tipo ΘII coexiste com a fase onda de densidade de pares bidirecional. Por fim, discutimos as implicacoes dos nossos resultados para a fase de pseudogap dos cupratos supercondutores, que emerge no chamado regime subdopado nesses sistemas.

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Dinâmica do modelo fermiônico do sal condutor TTF-TCNQ sob a interação de um campo elétrico

Renan Semensato Carloni, Antônio Cesar Aguiar Pinto

Os modelos fermiônicos com dois ou três sítios espaciais, na maioria das vezes, são usados para descrever as propriedades eletrônicas e/ou ópticas de certos sais orgânicos que possuem transferência de carga elétrica. Recentemente, foram verificadas algumas propriedades condutoras, do tipo de alguns cupratos, em sais orgânicos de monômeros TCNQ (tetracyanoquinodimethane) e TTF (tetrathiafulvalene). Além dessa importância citada, os modelos fermiônicos com poucos graus de liberdade, geralmente, tem solução algébrica. Nesse projeto de IC, calculamos a dinâmica exata desse modelo que representa a parte eletrônica do sal TCNQ quando: não temos um campo magnético externo aplicado e quando temos apenas um elétron orbitando entre os sítios espaciais (N=1). A metodologia utilizada foi escrever a representação matricial da hamiltoniana na base dos estados de número de partículas bem definidos. Calculamos seus autovalores (energia) e seus autovetores (autoestados instantâneos) para o caso do campo magnético externo aplicado ser nulo, escrevemos a representação de um vetor de estado físico, que carrega toda a informação do sistema fermiônico estudado, e o aplicamos na equação de Schrodinger para o cálculo da amplitude de probabilidade. As equações diferenciais que encontramos puderam ser agrupadas em dois grupos idênticos que envolviam apenas dois coeficientes por par de equações. Por fim, calculamos o vetor de polarização média desse modelo e verificamos que o vetor polarização média desse sal é identicamente nulo e não houve, por esse fato, a aplicação da aproximação de onda girante, pois não faria sentido devido a esse resultado.

Anais do ... Encontro de Iniciação Científica•Apr 30, 2014•0 citations

Análise do modelo t-J e sua aplicação aos compostos de óxidos de cobre

Henrique Salvador Cabral Marks

Neste trabalho estudamos modelos teóricos que descrevem sistemas eletrônicos fortemente correlacionados, em especial o modelo t-J, e suas aplicações a compostos de óxidos de cobre, notadamente os compostos que apresentam supercondutividade de alta temperatura crítica e o composto Sr2CuO2Cl2. No primeiro capítulo do trabalho, fazemos uma exposição de três modelos que envolvem o tratamento das interações elétron-elétron, que são os modelos de Hubbard de uma banda, o modelo de Heisenberg e o modelo t-J. Na dedução deste último fazemos uma expansão canônica do hamiltoniano de Hubbard, no limite de acoplamento forte, levando-nos a obter um novo hamiltoniano que pode ser utilizado para descrever um sistema antiferromagnético bidimensional na presen- ça de lacunas, que é exatamente o que caracteriza os compostos supercondutores de alta temperatura crítica na sua fase de baixa dopagem.Após termos obtido o hamiltoniano que descreve o modelo t-J, aplicamos à este uma descrição de polarons de spin, numa representação de holons, que são férmions sem spin, e spinons, que são bósons que carregam somente os graus de liberdade de spin. Utilizando uma função de Green para descrever a propagação do polaron pela rede, obtemos uma equação para a sua autoenergia somando uma série de diagramas de Feynman, sendo que para este cálculo utilizamos a aproxima ção de Born autoconsistente[1]. Do ponto de vista numérico demonstramos que a equação integral de Dyson resultante do tratamento anterior não requer um procedimento iterativo para sua solução, e com isto conseguimos trabalhar com sistemas com grande número de partículas. Os resultados mostram, como um aspecto novo, que o tempo de vida média do holon tem um valor bastante grande no ponto (π,0 ) da rede recíproca, perto da singularidade de Van Hove mencionada na literatura[2]. Este aspecto, e suas implicações, é amplamente discutido neste capítulo. No capítulo 3 estudamos o modelo estendido t-t'-J, com tunelamento à segundos vizinhos e a incorporação dos termos de três sítios[3]. Fazemos a mesma formulação do capítulo anterior, e discutimos as aplicações dos nossos resultados ao óxido mencionado anteriormente. Finalmente, no último capítulo apresentamos uma aplicação original do modelo t-J à uma rede retangular, levemente distorcida, e demonstramos que os resultados do capítulo 3 são reproduzidos sem necessidade de introduzir termos de tunelamento adicionais no hamiltoniano. Esta aplicação pode se tornar relevante para o estudo das fases de tiras encontradas recentemente nesses materiais de óxidos de cobre.

•Jan 1, 1999•0 citations

Supercondutividade em um modelo de Hubbard atrativo tratado com uma aproximação de dois-pólos

Diovana de Mello Lalis, Ana Claudia Lausmann, Cesar de Oliveira Lobo +1 more

Neste trabalho, foi feito um estudo das propriedades supercondutoras de um modelo de Hubbard estendido usado para descrever sistemas fortemente correlacionados. Algumas propriedades do estado normal também foram investigadas porque se acredita que esses dois estados estão fortemente conectados e que o entendimento do estado normal pode ser a chave para compreender os mecanismos da supercondutividade na maioria dos sistemas fortemente correlacionados. Em particular, estudou-se os efeitos das correlações spin-spin sobre as propriedades normais e supercondutoras do modelo, devido ao fato que existem várias evidências experimentais e teóricas indicando que as correlações spin-spin desempenham um papel importante nos supercondutores fortemente correlacionados. Os resultados obtidos, sugerem que no estado normal a dependência das correlações spin-spin em relação ao vetor de onda k deve ser levada em consideração para obtermos “pockets” e “ pseudogap” na superfície de Fermi.

Revista de Iniciação Científica da ULBRA•Jan 10, 2013•0 citations

Elétrons fortemente correlacionados na vizinhança de uma transição de fase quântica

Carlene Silva de Farias

Nesse trabalho derivamos e checamos a Identidade de Ward (IW) para uma\nteoria efetiva de baixas energias de um sistema fermiônico acoplado a um campo de\ngauge U(1), em 2+1 dimensões, na presença de uma superfície de Fermi parabólica.\nAs identitades deWard são muito importantes pois, estabelecem requisitos para que a\nteoria efetiva seja invariante de gauge. Veremos que a IW não é preservada em ordem\nde 1-loop. Isto caracteriza a presença de uma anômalia quântica. Assim, uma simetria\nclássica é destruida dinamicamente por flutuações quânticas. O nosso sistema físico\nse encontra na vizinhança de um Ponto Crítico Quântico. Portanto, as excitações fermiônicas,\nque se situam próximo a superfície de Fermi, decaem com o tempo, produzindo\nassim um amortecimento de Landau. Todos esses ingredientes de um regime\nde forte acoplamento devem ser levados em conta. E em função disso calcularemos\nas correções de vértice e os efeitos das auto-energias, que dessa forma fazem com que\nos propagadores de uma partícula da teoria dependam da frequência de uma forma\nnão-trivial

•Oct 18, 2013•0 citations

Estado pseudogap em cupratos supercondutores

Yoandris Vielza de la Cruz

Nesta tese, o estado pseudogap de sistemas cupratos supercondutores é estudado. Se começa com uma introdução aos fundamentos dos sistemas de elétrons interagentes, seguida por uma breve descrição sobre o entendimento atual da física de cupratos supercondutores de altas temperaturas críticas. A estrutura do composto cuprato La2CuO4, seu diagrama de fases, e o problema do pseudogap são incluídos nesta revisão. Alguns modelos aproximados que entram no marco teórico de estudo da física do pseudogap em cupratos serão discutidos posteriormente. Em seguida, se apresenta o método de solução ao problema do pseudogap utilizado neste estudo. Se mostra por cálculos analíticos e numéricos detalhados como encontrar a solução de campo médio do modelo em uma rede quadrada de sítios Cu. O formalismo da aproximação de campo médio de Hartree-Fock para o hamiltoniano de Hubbard será introduzido incluindo a otimização do número médio de sítios duplamente ocupados para redistribuição de carga na presença de correlações. Os parâmetros do modelo também são apresentados e discutidos, os quais são úteis para obter as implicações fisicamente relevantes do estado fundamental em estudo em termos da densidade eletrônica e da relação entre a repulsão de Coulomb e a largura de banda da estrutura eletrônica. Seguidamente se aplica a aproximação de campo médio de Hartree-Fock ao composto cuprato La2CuO4, no qual a parametrização do modelo é baseada. A supressão da densidade de estados próximos à superfície de Fermi está presente nos cálculos, o que está em concordância qualitativa com os dados experimentais. O termo extra do hamiltoniano de salto ao segundo vizinho mais próximo concorrente ao longo das direções nodais da zona de Brillouin da subrede mostra uma energia máxima de pseudogap de 101.08 meV obtida nos pontos nodais da superfície de Fermi no estado isolante de transferência de carga e antiferromagnético do semipreenchimento de elétrons, em boa concordância com o valor relatado experimentalmente. Dopando o sistema semipreenchido com buracos ou elétrons, observa-se a formação de regiões tipo bolso (pocket regions) perto da superfície de Fermi com baixa densidade de estados nos nodos e antinodos, respectivamente. Notavelmente, o pseudogap fecha nas concentrações críticas de dopagem de buracos e elétrons, xh = 0.20 e xe = 0.17, também em boa concordância com os valores experimentais dos sistemas cupratos La2-xSrxCuO4 e Nd2-xCexCuO4, que têm a mesma estrutura de camada CuO2 no regime de semipreenchimento consistente com a fixação dos parâmetros do modelo. Ao anular a energia de salto ao segundo vizinho mais próximo, nenhum pseudogap surge. Esses resultados sugerem que a limitação da dispersão de elétrons ao longo das direções nodais que conectam sítios de Cu contíguos na mesma subrede, combinada com uma repulsão local de Coulomb significativa, pode desempenhar um papel relevante para a abertura do pseudogap associado ao regime preenchido ou parcialmente preenchido de estados isolantes de transferência de carga em compostos cupratos.

•Jul 27, 2022•0 citations

Cálculos numéricos de sistemas eletrônicos desordenados correlacionados

Eric de Castro e Andrade

Sistemas eletronicos fortemente correlacionados desordenados possuem dois mecanismos basicos para a localizacao eletronica e a subsequente destruicao do estado metalico: o de Mott (causado pela interacao eletron-eletron) e o de Anderson (causado pela desordem). Nesta tese, estudamos como estes mecanismos competem dentro da fase metalica e tambem como afetam o comportamento critico do sistema, empregando uma generalizacao para o caso desordenado do cenario de Brinkman-Rice para a transicao de Mott. Investigamos os efeitos de desordem fraca e moderada sobre a transicao metal-isolante de Mott a T = 0 em duas dimensoes. Para desordem sucientemente baixa, a transicao mantem sua caracteristica do tipo Mott, na qual temos os pesos de quasiparticula Zi indo a zero na transicao e uma forte blindagem da desordem na regiao critica. Em contraste com o comportamento encontrado para d = 8 , no nosso caso as flutuacoes espaciais dos pesos de quasiparticula sao fortemente amplificadas proximo a transicao de Mott de tal forma que eles adquirem uma distribuicao do tipo lei de potencia P (Z) ~ Z a-1 ,com a --> 0 na transicao. Tal comportamento altera completamente as caracteristicas desta transicao com relacao ao caso limpo, e e um indicio robusto da emergencia de uma fase de Griffiths eletronica precedendo a transicao metal-isolante de Mott, com uma fenomenologia surpreendentemente similar aquela do ponto fixo de desordem infinita encontrada em magnetos quânticos. Uma consequencia imediata dessas novas caracteristicas introduzidas pela desordem e que estados eletronicos proximos a superficie de Fermi tornam-se mais homogeneos na regiao critica, ao passo que estados com maiores energias tem o comportamento oposto: eles apresentam uma grande inomogeneidade precisamente nas vizinhancas da transicao de Mott. Sugerimos que uma desordem efetiva dependente da interacao e uma caracteristica comum a todos os sistemas de Mott desordenados. Estudamos tambem como os efeitos bem conhecidos das oscilacoes de longo alcance de Friedel sao afetados por fortes correlacoes eletronicas. Primeiramente, mostramos que sua amplitude e alcance sao consideravelmente suprimidos em liquidos de Fermi fortemente renormalizados. Posteriormente, investigamos o papel dos espalhamentos elasticos e inelasticos na presenca dessas oscilacoes. Em geral, nossos resultados analiticos mostram que um papel proeminente das oscilacoes de Friedel e relegado a sistemas fracamente interagentes. Abordamos, por m, os efeitos das interacoes sobre o isolante de Anderson em uma dimensao. Construimos a funcao de escala s (g) e mostramos que a escala de crossover g *, que marca a transicao entre o regime ohmico e o localizado da condutância, e renormalizada pelas interacoes. Como consequencia, embora nao haja a emergencia de estados verdadeiramente estendidos, o regime ohmico de g estende-se agora por uma regiao consideravelmente maior do espaco de parâmetros Abstr

•Aug 19, 2010•0 citations
Investigamos aqui as propriedades de baixa energia de dois modelos eletronicos fortemente
correlacionados em duas dimensoes espaciais. O primeiro deles consiste em uma versao do modelo
de Hubbard em que sao considerados apenas os graus de liberdade do sistema na vizinhanca dos
chamados hot spots, que sao definidos como a interseccao da superficie de Fermi do modelo com a
zona antiferromagnetica. Inicialmente, definimos a nossa teoria linearizando a dispersao do modelo
nos hot spots e consideramos todos os processos de interacao entre essas regioes que conservam
momento a menos de um vetor da rede reciproca. Para acessar a fisica do modelo, recorremos
entao ao metodo de grupo de renormalizacao de teoria de campos e derivamos as equacoes de
fluxo para os acoplamentos na aproximacao de dois loops. Como resultado, obtemos que a
superficie de Fermi do modelo sofre forte renormalizacao nos hot spots, ao mesmo tempo que os
acoplamentos renormalizados fluem para um ponto fixo nao trivial no limite de baixa energia.
Sugerimos entao que esse sistema pode ser visto como um exemplo de um liquido de nao-Fermi
em duas dimensoes espaciais, devido a ausencia de excitacoes fermionicas do tipo quasiparticula
bem definidas na regiao proxima aos hot spots. Alem disso, resolvemos a equacao de Callan-
Symanzik para a funcao de Green de uma particula na aproximacao de dois loops, calculamos a
densidade de estados nos hot spots, e derivamos as equacoes de grupo de renormalizacao para os
parâmetros de ordem das possiveis instabilidades que podem, eventualmente, ocorrer no sistema
em baixas energias. Verificamos que o sistema pode ser caracterizado, nesse regime, em termos de
uma simetria emergente de pseudospin [SU(2)]4, que leva ao aparecimento de ordens emaranhadas
na regiao proxima ao ponto fixo nao trivial do modelo. Mostramos tambem que as excitacoes
fermionicas nas regioes adjacentes aos hot spots adquirem um gap nos espectros de excitacao de
carga e spin. Devido a isso, argumentamos que a superficie de Fermi do modelo pode ser
reconstruida, levando assim a formacao de arcos de Fermi ou pockets eletronicos.
O segundo modelo analisado nesta tese foi o modelo de tres bandas de Emery, que descreve todos
processos de interacao entre as excitacoes fermionicas localizadas nos orbitais do cobre (Cu) e do
oxigenio (O) na celula unitaria de CuO2. Atraves de uma transformada de Hubbard-Stratonovich,
introduzimos dois parâmetros de ordem no sistema: um para a chamada fase de corrente de loop do
tipo ΘII, que viola a simetria de reversao temporal Z2, e outro para a fase emaranhada com simetria
dx
2
-y
2 envolvendo a instabilidade supercondutora do tipo singleto e a ordem de densidade de carga
quadrupolar, cujo vetor de onda aponta na direcao da diagonal da zona de Brillouin. Minimizando
a energia livre do modelo, derivamos as equacoes auto-consistentes de campo medio para esses
parâmetros de ordem. A solucao dessas equacoes para o regime de temperatura nula mostra que as
duas fases competem entre si pela mesma regiao do espaco de fase e, consequentemente, o sistema
tende a nao exibir coexistencia entre as mesmas. Argumentamos que esse efeito pode ser a
principal razao para o fato de a fase onda de densidade quadrupolar nunca ter sido observada em
experimentos realizados nos cupratos supercondutores. Em seguida, analisamos a competicao entre
as fases de corrente de loop do tipo ΘII, observada experimentalmente, e ordem de carga com
simetria dx2-y2 e vetores de onda na direcao dos eixos principais da zona de Brillouin. Como
resultado, obtemos que o sistema exibe coexistencia apenas entre as fases de corrente de loop do
tipo ΘII e ordem de carga bidirecional. Devido a existencia de uma simetria de pseudospin nesse
modelo, confirmamos tambem que a fase de corrente de loop do tipo ΘII coexiste com a fase onda
de densidade de pares bidirecional. Por fim, discutimos as implicacoes dos nossos resultados para a
fase de pseudogap dos cupratos supercondutores, que emerge no chamado regime subdopado
nesses sistemas.
Os modelos fermiônicos com dois ou três sítios espaciais, na maioria das vezes, são usados para descrever as propriedades eletrônicas e/ou ópticas de certos sais orgânicos que possuem transferência de carga elétrica. Recentemente, foram verificadas algumas propriedades condutoras, do tipo de alguns cupratos, em sais orgânicos de monômeros TCNQ (tetracyanoquinodimethane) e TTF (tetrathiafulvalene). Além dessa importância citada, os modelos fermiônicos com poucos graus de liberdade, geralmente, tem solução algébrica. Nesse projeto de IC, calculamos a dinâmica exata desse modelo que representa a parte eletrônica do sal TCNQ quando: não temos um campo magnético externo aplicado e quando temos apenas um elétron orbitando entre os sítios espaciais (N=1). A metodologia utilizada foi escrever a representação matricial da hamiltoniana na base dos estados de número de partículas bem definidos. Calculamos seus autovalores (energia) e seus autovetores (autoestados instantâneos) para o caso do campo magnético externo aplicado ser nulo, escrevemos a representação de um vetor de estado físico, que carrega toda a informação do sistema fermiônico estudado, e o aplicamos na equação de Schrodinger para o cálculo da amplitude de probabilidade. As equações diferenciais que encontramos puderam ser agrupadas em dois grupos idênticos que envolviam apenas dois coeficientes por par de equações. Por fim, calculamos o vetor de polarização média desse modelo e verificamos que o vetor polarização média desse sal é identicamente nulo e não houve, por esse fato, a aplicação da aproximação de onda girante, pois não faria sentido devido a esse resultado.
Neste trabalho estudamos modelos teóricos que descrevem sistemas eletrônicos fortemente correlacionados, em especial o modelo t-J, e suas aplicações a compostos de óxidos de cobre, notadamente os compostos que apresentam supercondutividade de alta temperatura crítica e o composto Sr2CuO2Cl2. No primeiro capítulo do trabalho, fazemos uma exposição de três modelos que envolvem o tratamento das interações elétron-elétron, que são os modelos de Hubbard de uma banda, o modelo de Heisenberg e o modelo t-J. Na dedução deste último fazemos uma expansão canônica do hamiltoniano de Hubbard, no limite de acoplamento forte, levando-nos a obter um novo hamiltoniano que pode ser utilizado para descrever um sistema antiferromagnético bidimensional na presen- ça de lacunas, que é exatamente o que caracteriza os compostos supercondutores de alta temperatura crítica na sua fase de baixa dopagem.Após termos obtido o hamiltoniano que descreve o modelo t-J, aplicamos à este uma descrição de polarons de spin, numa representação de holons, que são férmions sem spin, e spinons, que são bósons que carregam somente os graus de liberdade de spin. Utilizando uma função de Green para descrever a propagação do polaron pela rede, obtemos uma equação para a sua autoenergia somando uma série de diagramas de Feynman, sendo que para este cálculo utilizamos a aproxima ção de Born autoconsistente[1]. Do ponto de vista numérico demonstramos que a equação integral de Dyson resultante do tratamento anterior não requer um procedimento iterativo para sua solução, e com isto conseguimos trabalhar com sistemas com grande número de partículas. Os resultados mostram, como um aspecto novo, que o tempo de vida média do holon tem um valor bastante grande no ponto (π,0 ) da rede recíproca, perto da singularidade de Van Hove mencionada na literatura[2]. Este aspecto, e suas implicações, é amplamente discutido neste capítulo. No capítulo 3 estudamos o modelo estendido t-t'-J, com tunelamento à segundos vizinhos e a incorporação dos termos de três sítios[3]. Fazemos a mesma formulação do capítulo anterior, e discutimos as aplicações dos nossos resultados ao óxido mencionado anteriormente. Finalmente, no último capítulo apresentamos uma aplicação original do modelo t-J à uma rede retangular, levemente distorcida, e demonstramos que os resultados do capítulo 3 são reproduzidos sem necessidade de introduzir termos de tunelamento adicionais no hamiltoniano. Esta aplicação pode se tornar relevante para o estudo das fases de tiras encontradas recentemente nesses materiais de óxidos de cobre.
Neste trabalho, foi feito um estudo das propriedades supercondutoras de um modelo de Hubbard estendido usado para descrever sistemas fortemente correlacionados. Algumas propriedades do estado normal também foram investigadas porque se acredita que esses dois estados estão fortemente conectados e que o entendimento do estado normal pode ser a chave para compreender os mecanismos da supercondutividade na maioria dos sistemas fortemente correlacionados. Em particular, estudou-se os efeitos das correlações spin-spin sobre as propriedades normais e supercondutoras do modelo, devido ao fato que existem várias evidências experimentais e teóricas indicando que as correlações spin-spin desempenham um papel importante nos supercondutores fortemente correlacionados. Os resultados obtidos, sugerem que no estado normal a dependência das correlações spin-spin em relação ao vetor de onda k deve ser levada em consideração para obtermos “pockets” e “ pseudogap” na superfície de Fermi.
Nesse trabalho derivamos e checamos a Identidade de Ward (IW) para uma\nteoria efetiva de baixas energias de um sistema fermiônico acoplado a um campo de\ngauge U(1), em 2+1 dimensões, na presença de uma superfície de Fermi parabólica.\nAs identitades deWard são muito importantes pois, estabelecem requisitos para que a\nteoria efetiva seja invariante de gauge. Veremos que a IW não é preservada em ordem\nde 1-loop. Isto caracteriza a presença de uma anômalia quântica. Assim, uma simetria\nclássica é destruida dinamicamente por flutuações quânticas. O nosso sistema físico\nse encontra na vizinhança de um Ponto Crítico Quântico. Portanto, as excitações fermiônicas,\nque se situam próximo a superfície de Fermi, decaem com o tempo, produzindo\nassim um amortecimento de Landau. Todos esses ingredientes de um regime\nde forte acoplamento devem ser levados em conta. E em função disso calcularemos\nas correções de vértice e os efeitos das auto-energias, que dessa forma fazem com que\nos propagadores de uma partícula da teoria dependam da frequência de uma forma\nnão-trivial
Nesta tese, o estado pseudogap de sistemas cupratos supercondutores é estudado. Se começa com uma introdução aos fundamentos dos sistemas de elétrons interagentes, seguida por uma breve descrição sobre o entendimento atual da física de cupratos supercondutores de altas temperaturas críticas. A estrutura do composto cuprato La2CuO4, seu diagrama de fases, e o problema do pseudogap são incluídos nesta revisão. Alguns modelos aproximados que entram no marco teórico de estudo da física do pseudogap em cupratos serão discutidos posteriormente. Em seguida, se apresenta o método de solução ao problema do pseudogap utilizado neste estudo. Se mostra por cálculos analíticos e numéricos detalhados como encontrar a solução de campo médio do modelo em uma rede quadrada de sítios Cu. O formalismo da aproximação de campo médio de Hartree-Fock para o hamiltoniano de Hubbard será introduzido incluindo a otimização do número médio de sítios duplamente ocupados para redistribuição de carga na presença de correlações. Os parâmetros do modelo também são apresentados e discutidos, os quais são úteis para obter as implicações fisicamente relevantes do estado fundamental em estudo em termos da densidade eletrônica e da relação entre a repulsão de Coulomb e a largura de banda da estrutura eletrônica. Seguidamente se aplica a aproximação de campo médio de Hartree-Fock ao composto cuprato La2CuO4, no qual a parametrização do modelo é baseada. A supressão da densidade de estados próximos à superfície de Fermi está presente nos cálculos, o que está em concordância qualitativa com os dados experimentais. O termo extra do hamiltoniano de salto ao segundo vizinho mais próximo concorrente ao longo das direções nodais da zona de Brillouin da subrede mostra uma energia máxima de pseudogap de 101.08 meV obtida nos pontos nodais da superfície de Fermi no estado isolante de transferência de carga e antiferromagnético do semipreenchimento de elétrons, em boa concordância com o valor relatado experimentalmente. Dopando o sistema semipreenchido com buracos ou elétrons, observa-se a formação de regiões tipo bolso (pocket regions) perto da superfície de Fermi com baixa densidade de estados nos nodos e antinodos, respectivamente. Notavelmente, o pseudogap fecha nas concentrações críticas de dopagem de buracos e elétrons, xh = 0.20 e xe = 0.17, também em boa concordância com os valores experimentais dos sistemas cupratos La2-xSrxCuO4 e Nd2-xCexCuO4, que têm a mesma estrutura de camada CuO2 no regime de semipreenchimento consistente com a fixação dos parâmetros do modelo. Ao anular a energia de salto ao segundo vizinho mais próximo, nenhum pseudogap surge. Esses resultados sugerem que a limitação da dispersão de elétrons ao longo das direções nodais que conectam sítios de Cu contíguos na mesma subrede, combinada com uma repulsão local de Coulomb significativa, pode desempenhar um papel relevante para a abertura do pseudogap associado ao regime preenchido ou parcialmente preenchido de estados isolantes de transferência de carga em compostos cupratos.
Sistemas eletronicos fortemente correlacionados desordenados possuem dois mecanismos basicos para a localizacao eletronica e a subsequente destruicao do estado metalico: o de Mott (causado pela interacao eletron-eletron) e o de Anderson (causado pela desordem). Nesta tese, estudamos como estes mecanismos competem dentro da fase metalica e tambem como afetam o comportamento critico do sistema, empregando uma generalizacao para o caso desordenado do cenario de Brinkman-Rice para a transicao de Mott. Investigamos os efeitos de desordem fraca e moderada sobre a transicao metal-isolante de Mott a T = 0 em duas dimensoes. Para desordem sucientemente baixa, a transicao mantem sua caracteristica do tipo Mott, na qual temos os pesos de quasiparticula Zi indo a zero na transicao e uma forte blindagem da desordem na regiao critica. Em contraste com o comportamento encontrado para d = 8 , no nosso caso as flutuacoes espaciais dos pesos de quasiparticula sao fortemente amplificadas proximo a transicao de Mott de tal forma que eles adquirem uma distribuicao do tipo lei de potencia P (Z) ~ Z a-1 ,com a --> 0 na transicao. Tal comportamento altera completamente as caracteristicas desta transicao com relacao ao caso limpo, e e um indicio robusto da emergencia de uma fase de Griffiths eletronica precedendo a transicao metal-isolante de Mott, com uma fenomenologia surpreendentemente similar aquela do ponto fixo de desordem infinita encontrada em magnetos quânticos. Uma consequencia imediata dessas novas caracteristicas introduzidas pela desordem e que estados eletronicos proximos a superficie de Fermi tornam-se mais homogeneos na regiao critica, ao passo que estados com maiores energias tem o comportamento oposto: eles apresentam uma grande inomogeneidade precisamente nas vizinhancas da transicao de Mott. Sugerimos que uma desordem efetiva dependente da interacao e uma caracteristica comum a todos os sistemas de Mott desordenados. Estudamos tambem como os efeitos bem conhecidos das oscilacoes de longo alcance de Friedel sao afetados por fortes correlacoes eletronicas. Primeiramente, mostramos que sua amplitude e alcance sao consideravelmente suprimidos em liquidos de Fermi fortemente renormalizados. Posteriormente, investigamos o papel dos espalhamentos elasticos e inelasticos na presenca dessas oscilacoes. Em geral, nossos resultados analiticos mostram que um papel proeminente das oscilacoes de Friedel e relegado a sistemas fracamente interagentes. Abordamos, por m, os efeitos das interacoes sobre o isolante de Anderson em uma dimensao. Construimos a funcao de escala s (g) e mostramos que a escala de crossover g *, que marca a transicao entre o regime ohmico e o localizado da condutância, e renormalizada pelas interacoes. Como consequencia, embora nao haja a emergencia de estados verdadeiramente estendidos, o regime ohmico de g estende-se agora por uma regiao consideravelmente maior do espaco de parâmetros Abstr