Este artigo discute o uso que Werner Heisenberg faz da filosofia grega clássica no âmbito dos debates acerca da teoria quântica realizados na primeira metade do século xx. Para esse autor, a ciência foi determinada pelo influxo de duas correntes de pensamento que surgiram na Grécia antiga: o materialismo e o idealismo. A partir de tal clivagem, Heisenberg fundamenta sua crítica aos opositores da Interpretação de Copenhague, além de justificar filosoficamente suas próprias teses sobre a mecânica quântica. Apesar de suas concepções filosóficas não serem passíveis de uma sistematização completa, a relação que Heisenberg estabeleceu entre a filosofia grega e os problemas da teoria dos quanta acabou por resultar em uma interpretação da realidade física na qual é predominante um platonismo e um incipiente estruturalismo matemático.
[pt] A dissertação tem por objetivo mostrar a importância e a significação da referência à filosofia grega no pensamento de Werner Heisenberg, um dos principais fundadores da mecânica quântica. A referência aos gregos, constante em seus escritos, deve ser primeiramente situada no contexto da crítica à modernidade, uma das diretrizes herdadas de Niels Bohr e uma das características mais fundamentais da filosofia de Heisenberg. Isto é, o pensamento grego é, para Heisenberg, um contraponto aos fundamentos da filosofia moderna, cujos limites são intransponíveis no que diz respeito à compreensão dos problemas apresentados pela física moderna. Acreditamos, no entanto, ser possível afirmar que as constantes referências, sobretudo a Platão e Aristóteles, têm também um papel fundamental no que diz respeito à caracterização do nível de realidade próprio à mecânica quântica.
Paul Karl Feyerabend (1924-1994) foi um físico e filósofo austríaco mundialmente conhecido por sua obra Contra o Método (1975). Apesar da notoriedade do enfant terrible da filosofia da ciência (uma das alcunhas adquiridas em razão de seus posicionamentos) vir a partir desta obra, os debates contidos nela (e em outras de suas obras) possuem uma origem um tanto curiosa: a mecânica quântica. Sendo formado em física pela Universidade de Viena, os 22 anos iniciais da vida profissional do autor tinham como um de seus principais temas a mecânica quântica, em especial as versões elaboradas por Niels Bohr, Werner Heisenberg, Wolfgang Pauli, Erwin Schrödinger e Albert Einstein. A partir da mecânica quântica, Feyerabend foi capaz de experimentar e estruturar temas que lhes foram caros por toda sua vida, como: realismo, relação entre física e metafísica, relação entre ciência e sociedade, dentre outros. O presente artigo tem como objetivo apresentar de que maneira Feyerabend extrai e estrutura suas discussões desta área tão complexa, utilizando, sempre que possível, citações diretas do físico-filósofo, a fim de uma melhor caracterização do seu pensamento. Desta forma, espera-se que aqueles que não conhecem o autor, possam ter uma visão geral da tônica de suas discussões, bem como debates filosóficos podem ser construídos a partir da mecânica quântica.
A presente dissertação tem como objetivo expor as idéias de Werner Heisenberg (1901-1976) sobre a natureza das transformações conceituais advindas com o surgimento da física moderna. As teorias da relatividade e a mecânica quântica geraram graves debates sobre a relação entre os seus novos conceitos e aqueles pertencentes à física clássica, entre teoria e experiência, sobre o papel que então deteriam conceitos antes julgados como fundamentais, tais como os de espaço, tempo, propriedades e causalidade. Na primeira parte, nós expomos o modo como Heisenberg compreende a história do desenvolvimento da física moderna, bem como as variadas características dos problemas que a acompanharam. Na segunda parte, nós expomos as reflexões de Heisenberg sobre as relações entre os conceitos clássicos e os modernos, ao mesmo tempo em que analisamos as formas pelas quais esses conceitos influenciam nas mais variadas atividades humanas. Por fim, oferecemos algumas indicações sobre como se constitui um problema ao qual Heisenberg continuamente retorna: aquele que concerne à possibilidade do homem se orientar no mundo.