Challenges
Datasets
Workspaces
Papers
Discussions
Leaderboard
Log inSign up
Challenges
Datasets
Workspaces
Papers
Discussions
Leaderboard
Blog
Job Board
Q3AS

© 2026 Aqora Quantum S.A.S.

TermsPrivacyLegal Notice

Estudos Avançados

David Bohm, sua estada no Brasil e a teoria quântica

Olival Freire, Michel Paty, Alberto Luiz da Rocha Barros

Published Apr 1, 1994• 4 citations
Publisher

Abstract

Quando o artigo Uma proposta de interpretação da teoria quântica em termos de variáveis" escondidas", de autoria de David Bohm, foi publicado, ele estava no Brasil, na Universidade de São Paulo. Atingido pelo McCarthysm, Bohm perdeu sua posição na Universidade de Princeton e, por isto, veio para o Brasil, onde permaneceu de outubro de 1951 a janeiro de 1955. Analisamos sua atividade neste período, incluindo sua interpretação da teoria quântica, e a recepção desta pela comunidade científica. Destacamos que, apesar das condições adversas, a sociedade brasileira foi capaz de acolher o cidadão e cientista perseguido politicamente, e assegurar a continuidade de seu trabalho científico. A ciência brasileira foi bastante beneficiada pelo ensino, pela pesquisa e pela permanente preocupação com os fundamentos da física, características do trabalho de David Bohm.

DOI
10.1590/s0103-40141994000100012

Related papers

Bohm, Einstein e a Ciência Brasileira

Juliano Carvalho Bento

Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.

•Jul 7, 2026•0 citations

Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais

Olival Freire, Osvaldo Frota Pessoa Junior, Joan Lisa Bromberg

vieram ao Brasil para trabalhar com Bohm, enquanto Léon Rosenfeld veio para estabelecer o contraponto entre a interpretação causal e a visão da complementaridade patrocinada pelo físico dinamarquês Niels Bohr.Ainda na década de 1960 foi a vez de Klaus Tausk, professor da USP, envolver-se em acirrada controvérsia com físicos italianos e com Rosenfeld sobre o problema da medição na Teoria Quântica.Pouco depois, o físico brasileiro José Leite Lopes, exilado em Estrasburgo, na França, junto com o físico francês Michel Paty, promoviam evento, que gerou o livro Quantum mechanics -a half century later, que contribuiu para criar um espaço favorável à pesquisa sobre os fundamentos da Teoria Quântica.Recentemente, os desenvolvimentos teóricos sobre o efeito descoerência e o experimento tipo "gato de Schrödinger", que testou pela primeira vez esse efeito, contam entre seus protagonistas com os físicos brasileiros Amir Caldeira e Luiz Davidovich.Os capítulos deste livro estão organizados em quatro partes.A primeira, intitulada História da teoria quântica -desenvolvimentos e fundamentos, reúne artigos com uma abordagem eminentemente histórica sobre aspectos da pesquisa em Teoria Quântica na segunda metade do século XX.A segunda parte, Implicações filosóficas da teoria quântica, está integrada por textos essencialmente filosóficos, versando sobre a interpretação da Teoria Quântica.As Implicações culturais e educacionais da teoria quântica, terceira parte, referem-se a fenômenos, como o "misticismo quântico," a presença da quântica no teatro e o ensino dessa teoria física.Por fim, a última parte, Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa, está composta por trabalhos históricos que exploram o período da construção da Teoria no início do século XX, bem como trabalhos que mesclam abordagens históricas com possibilidades atuais de desenvolvimento da pesquisa em seus fundamentos.O livro compreende 21 capítulos e 28 autores, divididos entre brasileiros e estrangeiros, em proporções aproximadamente iguais.Reúne desde pesquisadores-sênior a estudantes de pós-graduação.Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados em versões preliminares, no workshop que dá origem ao livro.As versões preliminares foram submetidas a um processo de arbitragem e seleção, conduzido pelos organizadores do volume, de modo que esses textos representam um esforço coletivo de discussão e elaboração que teve início naquele workshop e que se prolongou por quase um ano e meio.

•Jan 1, 2011•14 citations

David Bohm e a Mecânica Quântica: o Todo e o Indiviso

Rodrigo Siqueira‐Batista, Mathias Viana Vicari, J. A. Helayël-Neto

A visão indeterminista inspirada pela Escola de Copenhague – proposta, em 1927, pelo físico dinamarquês Niels Bohr e que articula o princípio da incerteza de Werner Heisenberg e a equação de onda de Erwin Schrödinger – tornou-se a interpretação hegemônica da Mecânica Quântica (MQ). Albert Einstein adotou uma visão bastante crítica em relação a este modo de descrever os processos atinentes à intimidade da matéria, considerando a MQ uma teoria incompleta. Louis De Broglie, já em 1927, propõe uma concepção alternativa – interpretação da onda piloto –, na qual se considera a MQ uma teoria determinística. Vinte e cinco anos depois, David Bohm desenvolve, na mesma lógica, a Teoria do Potencial Quântico, não-relativística, cujas ideias de destaque incluem as variáveis ocultas e a não localidade. Com base nessas breves considerações, o presente artigo tem por objetivo (1) apresentar os aspectos essenciais da Interpretação de Copenhague da MQ, (2) criticar tal perspectiva do ponto de vista do paradoxo EPR (Einstein, Podolsky e Rosen) e do “Gato de Schrödinger” e (3) analisar a abordagem matemática e as consequências filosóficas da MQ de David Bohm (MQ-B).

Revista Brasileira de Ensino de Física•Jan 1, 2022•1 citation

Física quântica e cultura:

Osvaldo Frota Pessoa Junior

Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.

TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas•Dec 15, 2023•0 citations

Diferentes proposições do princípio da incerteza para posição e momentum: integrando formalismo matemático, fenomenologia e interpretações no ensino da teoria quântica

Gabriela Rosa, Nathan Willig Lima, Cláudio José de Holanda Cavalcanti

O Princípio da Incerteza, proposto pelo físico Werner Heisenberg em 1927, possui centralidade no desenvolvimento Teoria Quântica e desde sua formulação assume uma pluralidade de interpretações, derivações matemáticas e experimentos mentais que buscam explorá-lo em profundidade. Entretanto, os livros didáticos, que possuem papel importante na formação de cientistas e professores de ciência, usualmente optam por privilegiar somente alguns de seus principais aspectos, limitando a apresentação do Princípio da Incerteza nos cursos de Teoria Quântica do ensino superior. Com o objetivo de ampliar as discussões sobre o Princípio da Incerteza para as variáveis posição e momentum e contribuir com o Ensino da Teoria Quântica, ao longo deste texto apresentamos o Princípio da Incerteza em três diferentes níveis (formalismo matemático, fenomenologia e interpretação). Começamos resgatando de forma didática quatro diferentes derivações históricas do Princípio da Incerteza: as derivações de Heisenberg e Weyl para as variáveis posição e momentum, e as derivações de Robertson e Schrödinger para dois observáveis quaisquer A e B. Em seguida, retomamos dois experimentos mentais propostos por Heisenberg: o microscópio de raios-gama e o elétron passando por uma fenda. Por fim, apresentamos quatro principais escolas de interpretação do Princípio da Incerteza.

Revista Brasileira de Ensino de Física•Jan 1, 2022•0 citations

Beyond clouds and watches: the perception of reality by David Bohm

Rodrigo França Carvalho

Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo

Scientiae Studia•Dec 30, 2016•0 citations
Quando o artigo Uma proposta de interpretação da teoria quântica em termos de variáveis" escondidas", de autoria de David Bohm, foi publicado, ele estava no Brasil, na Universidade de São Paulo. Atingido pelo McCarthysm, Bohm perdeu sua posição na Universidade de Princeton e, por isto, veio para o Brasil, onde permaneceu de outubro de 1951 a janeiro de 1955. Analisamos sua atividade neste período, incluindo sua interpretação da teoria quântica, e a recepção desta pela comunidade científica. Destacamos que, apesar das condições adversas, a sociedade brasileira foi capaz de acolher o cidadão e cientista perseguido politicamente, e assegurar a continuidade de seu trabalho científico. A ciência brasileira foi bastante beneficiada pelo ensino, pela pesquisa e pela permanente preocupação com os fundamentos da física, características do trabalho de David Bohm.
Resumo: Este ensaio discute brevemente a vinda de David Bohm ao Brasil no início da década de 1950, situando sua permanência na Universidade de São Paulo no contexto mais amplo do macartismo, da Guerra Fria e da consolidação institucional da física brasileira. Após apresentar um panorama de sua trajetória e das circunstâncias que o levaram ao exílio, o texto enfatiza a análise de cinco cartas enviadas por Albert Einstein a Bohm entre 1951 e 1954, período em que Bohm estava no Brasil. Esses documentos revelam uma interlocução que ultrapassa o plano estritamente pessoal, envolvendo temas como a situação política dos Estados Unidos, as dificuldades da vida científica no Brasil, a teoria do campo unificado, a interpretação causal da mecânica quântica, a crítica à ortodoxia de Copenhague e as possibilidades de continuidade da carreira de Bohm fora do ambiente acadêmico norte-americano. Ao examinar essas cartas, o ensaio também procura mostrar que o Brasil não aparece apenas como cenário periférico do exílio de Bohm, mas como espaço ao menos físico de circulação de ideias, tensões políticas e debates fundamentais da física do século XX. Nesse sentido, a correspondência entre Einstein e Bohm colaca a ciência brasileira no mapa internacional das discussões sobre os fundamentos da física moderna. Palavras-chave: David Bohm; Albert Einstein; Universidade de São Paulo; Mecânica Quântica; Macartismo; História da Ciência.
vieram ao Brasil para trabalhar com Bohm, enquanto Léon Rosenfeld veio para estabelecer o contraponto entre a interpretação causal e a visão da complementaridade patrocinada pelo físico dinamarquês Niels Bohr.Ainda na década de 1960 foi a vez de Klaus Tausk, professor da USP, envolver-se em acirrada controvérsia com físicos italianos e com Rosenfeld sobre o problema da medição na Teoria Quântica.Pouco depois, o físico brasileiro José Leite Lopes, exilado em Estrasburgo, na França, junto com o físico francês Michel Paty, promoviam evento, que gerou o livro Quantum mechanics -a half century later, que contribuiu para criar um espaço favorável à pesquisa sobre os fundamentos da Teoria Quântica.Recentemente, os desenvolvimentos teóricos sobre o efeito descoerência e o experimento tipo "gato de Schrödinger", que testou pela primeira vez esse efeito, contam entre seus protagonistas com os físicos brasileiros Amir Caldeira e Luiz Davidovich.Os capítulos deste livro estão organizados em quatro partes.A primeira, intitulada História da teoria quântica -desenvolvimentos e fundamentos, reúne artigos com uma abordagem eminentemente histórica sobre aspectos da pesquisa em Teoria Quântica na segunda metade do século XX.A segunda parte, Implicações filosóficas da teoria quântica, está integrada por textos essencialmente filosóficos, versando sobre a interpretação da Teoria Quântica.As Implicações culturais e educacionais da teoria quântica, terceira parte, referem-se a fenômenos, como o "misticismo quântico," a presença da quântica no teatro e o ensino dessa teoria física.Por fim, a última parte, Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa, está composta por trabalhos históricos que exploram o período da construção da Teoria no início do século XX, bem como trabalhos que mesclam abordagens históricas com possibilidades atuais de desenvolvimento da pesquisa em seus fundamentos.O livro compreende 21 capítulos e 28 autores, divididos entre brasileiros e estrangeiros, em proporções aproximadamente iguais.Reúne desde pesquisadores-sênior a estudantes de pós-graduação.Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados em versões preliminares, no workshop que dá origem ao livro.As versões preliminares foram submetidas a um processo de arbitragem e seleção, conduzido pelos organizadores do volume, de modo que esses textos representam um esforço coletivo de discussão e elaboração que teve início naquele workshop e que se prolongou por quase um ano e meio.
A visão indeterminista inspirada pela Escola de Copenhague – proposta, em 1927, pelo físico dinamarquês Niels Bohr e que articula o princípio da incerteza de Werner Heisenberg e a equação de onda de Erwin Schrödinger – tornou-se a interpretação hegemônica da Mecânica Quântica (MQ). Albert Einstein adotou uma visão bastante crítica em relação a este modo de descrever os processos atinentes à intimidade da matéria, considerando a MQ uma teoria incompleta. Louis De Broglie, já em 1927, propõe uma concepção alternativa – interpretação da onda piloto –, na qual se considera a MQ uma teoria determinística. Vinte e cinco anos depois, David Bohm desenvolve, na mesma lógica, a Teoria do Potencial Quântico, não-relativística, cujas ideias de destaque incluem as variáveis ocultas e a não localidade. Com base nessas breves considerações, o presente artigo tem por objetivo (1) apresentar os aspectos essenciais da Interpretação de Copenhague da MQ, (2) criticar tal perspectiva do ponto de vista do paradoxo EPR (Einstein, Podolsky e Rosen) e do “Gato de Schrödinger” e (3) analisar a abordagem matemática e as consequências filosóficas da MQ de David Bohm (MQ-B).
Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.
O Princípio da Incerteza, proposto pelo físico Werner Heisenberg em 1927, possui centralidade no desenvolvimento Teoria Quântica e desde sua formulação assume uma pluralidade de interpretações, derivações matemáticas e experimentos mentais que buscam explorá-lo em profundidade. Entretanto, os livros didáticos, que possuem papel importante na formação de cientistas e professores de ciência, usualmente optam por privilegiar somente alguns de seus principais aspectos, limitando a apresentação do Princípio da Incerteza nos cursos de Teoria Quântica do ensino superior. Com o objetivo de ampliar as discussões sobre o Princípio da Incerteza para as variáveis posição e momentum e contribuir com o Ensino da Teoria Quântica, ao longo deste texto apresentamos o Princípio da Incerteza em três diferentes níveis (formalismo matemático, fenomenologia e interpretação). Começamos resgatando de forma didática quatro diferentes derivações históricas do Princípio da Incerteza: as derivações de Heisenberg e Weyl para as variáveis posição e momentum, e as derivações de Robertson e Schrödinger para dois observáveis quaisquer A e B. Em seguida, retomamos dois experimentos mentais propostos por Heisenberg: o microscópio de raios-gama e o elétron passando por uma fenda. Por fim, apresentamos quatro principais escolas de interpretação do Princípio da Incerteza.
Neste artigo, apresentamos e debatemos um aspecto específico da visão científica do físico quântico David Bohm (1917-1992) acerca da realidade. Em nosso debate, pretendemos mostrar que essa visão é alicerçada na transcendência da dicotomia determinismo-indeterminismo. Por meio de algumas de suas teorias, tais como a teoria do plasma, a interpretação ontológica da teoria quântica e o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita, procuramos defender a ideia de que a visão de Bohm é que a realidade é um processo situado além das “nuvens e dos relógios”, expressão que tomamos de empréstimo do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994). Dessa forma, tal perspectiva abre espaço para a compreensão de que a criatividade e a liberdade estão no cerne da natureza e da realidade como um todo