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Caderno Brasileiro de Ensino de Física

A gênese do Princípio da Incerteza: uma análise histórico-epistemológica da correspondência Heisenberg-Pauli (1927)

Marcos Antônio Barros, Jenner Barretto Bastos Filho, Pablo Francisco Honorato Sampaio

Published Aug 26, 2026• 0 citations
Publisher

Abstract

Este artigo investiga a gênese histórico-epistemológica do Princípio da Incerteza a partir da análise da correspondência científica entre Werner Heisenberg e Wolfgang Pauli, com ênfase na longa carta de 23 de fevereiro de 1927, imediatamente anterior à publicação do artigo em que o princípio foi formalmente apresentado. Em contraste com narrativas retrospectivas que tratam a incerteza como consequência direta do formalismo matemático da Mecânica Quântica, o estudo evidencia um processo gradual de elaboração conceitual, ancorado em reflexões operacionais sobre a medição, a redefinição do significado físico das grandezas clássicas e o papel da observação. A análise comentada da carta revela um estágio intermediário, no qual as relações de imprecisão aparecem como heurísticas vinculadas às condições de mensurabilidade, antes de sua estabilização discursiva como princípio geral no artigo publicado em 1927. A comparação entre a correspondência privada e o texto público permite identificar continuidades conceituais, deslocamentos epistemológicos e estratégias retóricas associadas à consolidação do princípio. Sustenta-se que a construção do Princípio da Incerteza pode ser melhor compreendida enquanto resultado de um processo coletivo e argumentativo, envolvendo intercâmbio epistolar, debates institucionais e controvérsias públicas, como as discussões da Conferência de Solvay de 1927. Ao enfatizar o papel das fontes primárias, o artigo contribui para uma compreensão historicamente informada da Mecânica Quântica e para a revisão crítica de interpretações excessivamente formalistas de seus fundamentos.

DOI
10.5007/2175-7941.2026.e111400

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90 anos do Princípio de Incerteza de Heisenberg: Das grandezas não comutáveis ao artigo de 1927

Alexsandro de Almeida Barros

Neste trabalho buscamos responder, mediante pesquisa historiográfica, à seguinte questão: de que forma ocorreu o desenvolvimento daquilo que hoje conhecemos como princípio de incerteza? Ou melhor: Qual o contexto teórico que possibilitou Heisenberg chegar às suas considerações acerca da mensuração de grandezas quânticas canonicamente conjugadas? Em conformidade com tal questionamento, tomamos como objetivo geral descrever o contexto e a forma com que o “princípio de incerteza” foi elaborado por Heisenberg. Para tanto, utilizamos importantes fontes secundárias e documentação primária, como o artigo de 1927, livros de Heisenberg e a correspondência enviada por ele a Pauli pouco antes de elaborar o referido artigo. Não encontramos estes materiais em vernáculo (somente o artigo, e em inglês). Tendo em vista isso, elencamos como um dos objetivos específicos, traduzir para o português (e comentar) o artigo de Heisenberg de 1927 e traduzir diretamente do original alemão a carta enviada a Pauli. Além deste, buscamos também compreender a elaboração do “princípio de incerteza” com base nessas fontes e no testemunho posterior do próprio Heisenberg. Em linhas gerais, pode-se enxergar nas considerações de Heisenberg não apenas uma interpretação física para determinados aspectos do formalismo matemático que sustentava a mecânica quântica nesta época, mas também uma expressão da limitação do nosso conhecimento do mundo quântico. Acreditamos que além de fornecer fontes em linguagem acessível e um relato mais aprofundado de como Heisenberg chegou às suas considerações - contribuindo, portanto, com a literatura específica-, nosso material possa também ser de valia em sala de aula para discussão, no ensino superior, da Natureza da Ciência (NdC), - uma temática cuja presença explícita ainda é bastante limitada, quer seja na formação de licenciandos, quer seja dos bachalelandos das áreas científicas.

•Jun 6, 2018•0 citations

Diferentes proposições do princípio da incerteza para posição e momentum: integrando formalismo matemático, fenomenologia e interpretações no ensino da teoria quântica

Gabriela Rosa, Nathan Willig Lima, Cláudio José de Holanda Cavalcanti

O Princípio da Incerteza, proposto pelo físico Werner Heisenberg em 1927, possui centralidade no desenvolvimento Teoria Quântica e desde sua formulação assume uma pluralidade de interpretações, derivações matemáticas e experimentos mentais que buscam explorá-lo em profundidade. Entretanto, os livros didáticos, que possuem papel importante na formação de cientistas e professores de ciência, usualmente optam por privilegiar somente alguns de seus principais aspectos, limitando a apresentação do Princípio da Incerteza nos cursos de Teoria Quântica do ensino superior. Com o objetivo de ampliar as discussões sobre o Princípio da Incerteza para as variáveis posição e momentum e contribuir com o Ensino da Teoria Quântica, ao longo deste texto apresentamos o Princípio da Incerteza em três diferentes níveis (formalismo matemático, fenomenologia e interpretação). Começamos resgatando de forma didática quatro diferentes derivações históricas do Princípio da Incerteza: as derivações de Heisenberg e Weyl para as variáveis posição e momentum, e as derivações de Robertson e Schrödinger para dois observáveis quaisquer A e B. Em seguida, retomamos dois experimentos mentais propostos por Heisenberg: o microscópio de raios-gama e o elétron passando por uma fenda. Por fim, apresentamos quatro principais escolas de interpretação do Princípio da Incerteza.

Revista Brasileira de Ensino de Física•Jan 1, 2022•0 citations

O ANTIRREALISMO ORTODOXO NA AURORA DA MECÂNICA QUÂNTICA

Maxwell Diógenes Bandeira de Melo, Eduardo Simões

RESUMO O tema do antirrealismo ortodoxo na aurora da mecânica quântica nasce da perspectiva de discutir o problema que envolve o embate entre realismo e antirrealismo nos primórdios da mecânica quântica, especialmente no interior da interpretação de Copenhague, liderada por Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em termos gerais, objetiva-se evidenciar pressupostos ontológicos e os conceitos metafísicos empregados nas diversas concepções que compõe a interpretação supramencionada, particularmente, o princípio da incerteza de Heisenberg. A metodologia para tal análise será uma revisão de literatura, portanto, uma pesquisa bibliográfica, baseada no que há de mais atual sobre o tema em epígrafe. O que se intenta com o presente artigo é demonstrar como o realismo e antirrealismo, enquanto perspectivas filosóficas, versam sobre a natureza da realidade e a relação entre conceitos teóricos e observações empíricas. O realismo apresenta uma visão que postula a existência da realidade objetiva e independente das observações humanas e o antirrealismo sustenta que os conceitos teóricos e entidades propostas por teorias científicas não podem ter uma correspondência direta com a realidade, independente das observações. Nesse trabalho o leitor verá uma discussão sobre essas duas vertentes nos primórdios da mecânica quântica e suas consequências para o entendimento do mundo dos quanta. Palavras-chave: Antirrealismo, incerteza, mecânica quântica.

DESAFIOS Revista Interdisciplinar da Universidade Federal do Tocantins•Apr 22, 2024•0 citations

Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais

Olival Freire, Osvaldo Frota Pessoa Junior, Joan Lisa Bromberg

vieram ao Brasil para trabalhar com Bohm, enquanto Léon Rosenfeld veio para estabelecer o contraponto entre a interpretação causal e a visão da complementaridade patrocinada pelo físico dinamarquês Niels Bohr.Ainda na década de 1960 foi a vez de Klaus Tausk, professor da USP, envolver-se em acirrada controvérsia com físicos italianos e com Rosenfeld sobre o problema da medição na Teoria Quântica.Pouco depois, o físico brasileiro José Leite Lopes, exilado em Estrasburgo, na França, junto com o físico francês Michel Paty, promoviam evento, que gerou o livro Quantum mechanics -a half century later, que contribuiu para criar um espaço favorável à pesquisa sobre os fundamentos da Teoria Quântica.Recentemente, os desenvolvimentos teóricos sobre o efeito descoerência e o experimento tipo "gato de Schrödinger", que testou pela primeira vez esse efeito, contam entre seus protagonistas com os físicos brasileiros Amir Caldeira e Luiz Davidovich.Os capítulos deste livro estão organizados em quatro partes.A primeira, intitulada História da teoria quântica -desenvolvimentos e fundamentos, reúne artigos com uma abordagem eminentemente histórica sobre aspectos da pesquisa em Teoria Quântica na segunda metade do século XX.A segunda parte, Implicações filosóficas da teoria quântica, está integrada por textos essencialmente filosóficos, versando sobre a interpretação da Teoria Quântica.As Implicações culturais e educacionais da teoria quântica, terceira parte, referem-se a fenômenos, como o "misticismo quântico," a presença da quântica no teatro e o ensino dessa teoria física.Por fim, a última parte, Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa, está composta por trabalhos históricos que exploram o período da construção da Teoria no início do século XX, bem como trabalhos que mesclam abordagens históricas com possibilidades atuais de desenvolvimento da pesquisa em seus fundamentos.O livro compreende 21 capítulos e 28 autores, divididos entre brasileiros e estrangeiros, em proporções aproximadamente iguais.Reúne desde pesquisadores-sênior a estudantes de pós-graduação.Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados em versões preliminares, no workshop que dá origem ao livro.As versões preliminares foram submetidas a um processo de arbitragem e seleção, conduzido pelos organizadores do volume, de modo que esses textos representam um esforço coletivo de discussão e elaboração que teve início naquele workshop e que se prolongou por quase um ano e meio.

•Jan 1, 2011•14 citations

A disciplina modal da mecânica quântica: uma leitura crítico–propositiva da bibliografia fundante quântica em confronto com a Teoria da Objetividade

Vidamor Cabannas, Denivaldo Silva

Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea

•Mar 18, 2026•0 citations

Uma introdução aos fundamentos da mecânica quântica

Ruy Hanazaki do Amaral Farias

Apresenta-se aqui uma abordagem introdutoria aos fundamentos da mecânica quântica, objetivando prover um texto acessivel aqueles que possam ter algum interesse em tomar conhecimento do que se pesquisa e o que se pesquisa e o que se discute nessa area. Faz-se uma apresentacao das interpretacoes mais acatadas do formalismo, mostrando os problemas que elas enfrentam, assim como as tentativas de contorna-los. deste modo, aborda-se os problemas de medicao e do paradoxo onda-particula, assim como as tentativas de reinterpretacao do principio da incerteza e as controversias ligadas ao paradoxo de Einstein, Podolski, e Rosen (EPR) e a desigualdade de Bell. Todos estes topicos sao abordados no contexto do confronto dos pontos de vista classicos com a posicao de Bohr-Heisenberg, sendo analisadas as consequencias da mecânica quântica sobre conceitos com realismo, localidade, causalidade e objetivismo, tao presentes na fisica classica Abstract

•Jul 13, 1987•1 citation
Este artigo investiga a gênese histórico-epistemológica do Princípio da Incerteza a partir da análise da correspondência científica entre Werner Heisenberg e Wolfgang Pauli, com ênfase na longa carta de 23 de fevereiro de 1927, imediatamente anterior à publicação do artigo em que o princípio foi formalmente apresentado. Em contraste com narrativas retrospectivas que tratam a incerteza como consequência direta do formalismo matemático da Mecânica Quântica, o estudo evidencia um processo gradual de elaboração conceitual, ancorado em reflexões operacionais sobre a medição, a redefinição do significado físico das grandezas clássicas e o papel da observação. A análise comentada da carta revela um estágio intermediário, no qual as relações de imprecisão aparecem como heurísticas vinculadas às condições de mensurabilidade, antes de sua estabilização discursiva como princípio geral no artigo publicado em 1927. A comparação entre a correspondência privada e o texto público permite identificar continuidades conceituais, deslocamentos epistemológicos e estratégias retóricas associadas à consolidação do princípio. Sustenta-se que a construção do Princípio da Incerteza pode ser melhor compreendida enquanto resultado de um processo coletivo e argumentativo, envolvendo intercâmbio epistolar, debates institucionais e controvérsias públicas, como as discussões da Conferência de Solvay de 1927. Ao enfatizar o papel das fontes primárias, o artigo contribui para uma compreensão historicamente informada da Mecânica Quântica e para a revisão crítica de interpretações excessivamente formalistas de seus fundamentos.
Neste trabalho buscamos responder, mediante pesquisa historiográfica, à seguinte questão: de que forma ocorreu o desenvolvimento daquilo que hoje conhecemos como princípio de incerteza? Ou melhor: Qual o contexto teórico que possibilitou Heisenberg chegar às suas considerações acerca da mensuração de grandezas quânticas canonicamente conjugadas? Em conformidade com tal questionamento, tomamos como objetivo geral descrever o contexto e a forma com que o “princípio de incerteza” foi elaborado por Heisenberg. Para tanto, utilizamos importantes fontes secundárias e documentação primária, como o artigo de 1927, livros de Heisenberg e a correspondência enviada por ele a Pauli pouco antes de elaborar o referido artigo. Não encontramos estes materiais em vernáculo (somente o artigo, e em inglês). Tendo em vista isso, elencamos como um dos objetivos específicos, traduzir para o português (e comentar) o artigo de Heisenberg de 1927 e traduzir diretamente do original alemão a carta enviada a Pauli. Além deste, buscamos também compreender a elaboração do “princípio de incerteza” com base nessas fontes e no testemunho posterior do próprio Heisenberg. Em linhas gerais, pode-se enxergar nas considerações de Heisenberg não apenas uma interpretação física para determinados aspectos do formalismo matemático que sustentava a mecânica quântica nesta época, mas também uma expressão da limitação do nosso conhecimento do mundo quântico. Acreditamos que além de fornecer fontes em linguagem acessível e um relato mais aprofundado de como Heisenberg chegou às suas considerações - contribuindo, portanto, com a literatura específica-, nosso material possa também ser de valia em sala de aula para discussão, no ensino superior, da Natureza da Ciência (NdC), - uma temática cuja presença explícita ainda é bastante limitada, quer seja na formação de licenciandos, quer seja dos bachalelandos das áreas científicas.
O Princípio da Incerteza, proposto pelo físico Werner Heisenberg em 1927, possui centralidade no desenvolvimento Teoria Quântica e desde sua formulação assume uma pluralidade de interpretações, derivações matemáticas e experimentos mentais que buscam explorá-lo em profundidade. Entretanto, os livros didáticos, que possuem papel importante na formação de cientistas e professores de ciência, usualmente optam por privilegiar somente alguns de seus principais aspectos, limitando a apresentação do Princípio da Incerteza nos cursos de Teoria Quântica do ensino superior. Com o objetivo de ampliar as discussões sobre o Princípio da Incerteza para as variáveis posição e momentum e contribuir com o Ensino da Teoria Quântica, ao longo deste texto apresentamos o Princípio da Incerteza em três diferentes níveis (formalismo matemático, fenomenologia e interpretação). Começamos resgatando de forma didática quatro diferentes derivações históricas do Princípio da Incerteza: as derivações de Heisenberg e Weyl para as variáveis posição e momentum, e as derivações de Robertson e Schrödinger para dois observáveis quaisquer A e B. Em seguida, retomamos dois experimentos mentais propostos por Heisenberg: o microscópio de raios-gama e o elétron passando por uma fenda. Por fim, apresentamos quatro principais escolas de interpretação do Princípio da Incerteza.
RESUMO O tema do antirrealismo ortodoxo na aurora da mecânica quântica nasce da perspectiva de discutir o problema que envolve o embate entre realismo e antirrealismo nos primórdios da mecânica quântica, especialmente no interior da interpretação de Copenhague, liderada por Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em termos gerais, objetiva-se evidenciar pressupostos ontológicos e os conceitos metafísicos empregados nas diversas concepções que compõe a interpretação supramencionada, particularmente, o princípio da incerteza de Heisenberg. A metodologia para tal análise será uma revisão de literatura, portanto, uma pesquisa bibliográfica, baseada no que há de mais atual sobre o tema em epígrafe. O que se intenta com o presente artigo é demonstrar como o realismo e antirrealismo, enquanto perspectivas filosóficas, versam sobre a natureza da realidade e a relação entre conceitos teóricos e observações empíricas. O realismo apresenta uma visão que postula a existência da realidade objetiva e independente das observações humanas e o antirrealismo sustenta que os conceitos teóricos e entidades propostas por teorias científicas não podem ter uma correspondência direta com a realidade, independente das observações. Nesse trabalho o leitor verá uma discussão sobre essas duas vertentes nos primórdios da mecânica quântica e suas consequências para o entendimento do mundo dos quanta. Palavras-chave: Antirrealismo, incerteza, mecânica quântica.
vieram ao Brasil para trabalhar com Bohm, enquanto Léon Rosenfeld veio para estabelecer o contraponto entre a interpretação causal e a visão da complementaridade patrocinada pelo físico dinamarquês Niels Bohr.Ainda na década de 1960 foi a vez de Klaus Tausk, professor da USP, envolver-se em acirrada controvérsia com físicos italianos e com Rosenfeld sobre o problema da medição na Teoria Quântica.Pouco depois, o físico brasileiro José Leite Lopes, exilado em Estrasburgo, na França, junto com o físico francês Michel Paty, promoviam evento, que gerou o livro Quantum mechanics -a half century later, que contribuiu para criar um espaço favorável à pesquisa sobre os fundamentos da Teoria Quântica.Recentemente, os desenvolvimentos teóricos sobre o efeito descoerência e o experimento tipo "gato de Schrödinger", que testou pela primeira vez esse efeito, contam entre seus protagonistas com os físicos brasileiros Amir Caldeira e Luiz Davidovich.Os capítulos deste livro estão organizados em quatro partes.A primeira, intitulada História da teoria quântica -desenvolvimentos e fundamentos, reúne artigos com uma abordagem eminentemente histórica sobre aspectos da pesquisa em Teoria Quântica na segunda metade do século XX.A segunda parte, Implicações filosóficas da teoria quântica, está integrada por textos essencialmente filosóficos, versando sobre a interpretação da Teoria Quântica.As Implicações culturais e educacionais da teoria quântica, terceira parte, referem-se a fenômenos, como o "misticismo quântico," a presença da quântica no teatro e o ensino dessa teoria física.Por fim, a última parte, Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa, está composta por trabalhos históricos que exploram o período da construção da Teoria no início do século XX, bem como trabalhos que mesclam abordagens históricas com possibilidades atuais de desenvolvimento da pesquisa em seus fundamentos.O livro compreende 21 capítulos e 28 autores, divididos entre brasileiros e estrangeiros, em proporções aproximadamente iguais.Reúne desde pesquisadores-sênior a estudantes de pós-graduação.Os trabalhos aqui reunidos foram apresentados em versões preliminares, no workshop que dá origem ao livro.As versões preliminares foram submetidas a um processo de arbitragem e seleção, conduzido pelos organizadores do volume, de modo que esses textos representam um esforço coletivo de discussão e elaboração que teve início naquele workshop e que se prolongou por quase um ano e meio.
Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea
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