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Felinos inseparaveis : consideraçoes historicacas e filosoficas acerca do problema da mediçao em mecanica quantica

Raoni Wohnrath Arroyo

Published Jan 1, 2023• 0 citations
OpenAlex

Abstract

Agradecimentos: Este texto foi desenvolvido, em grande parte, a partir de reflexões e notas de aula dos últimos cursos livres lecionados pelo Prof. Newton da Costa, na Universidade federal de Santa Catarina, durante 2016 e 2020; nessas ocasiões, beneficiei-me também das discussões com Christian de Ronde, Décio Krause, Helcio Felippe Jr., Lauro Nunes Filho, Joanne Flausino e Jonas Arenhart. Agradeço também ao Gilson Olegario da Silva pelo gentil convite para publicar este artigo no presente número especial sobre filosofia da ciência. Pesquisador visitante na Università degli Studi Roma Tre. Apoio: processo No 22/15992-8, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Pesquisador pós-doutoral no Centro de Lógica, Epistemologia e História da ciência, integra o Grupo de Pesquisa em Lógica e Fundamentos da Ciência (CNPq), e a International Network on Foundations of Quantum Mechanics and Quantum Information

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Felinos inseparáveis: considerações históricas e filosóficas acerca do problema da medição em mec'nica qu'ntica

Raoni Arroyo

Resumo: Este artigo trata de aspectos abordados aspectos históricos e filosóficos do problema da medição em mecânica quântica, com ênfase na famosa formulação de Erwin Schrödinger conhecida como o "paradoxo do Gato de Schrödinger".Pensado para o uso em sala de aula em cursos de filosofia da ciência a nível de graduação e pós-graduação, o artigo trata, em especial: da gênese do problema da medição ( § 1); sua conexão com os debates filosóficos sobre a localidade e separabilidade ( § 2); as consequências para debates futuros na metafísica da ciência ( § 3).Palavras-chave: filosofia da mecânica quântica; gato de Schrödinger; metafísica da ciência; problema da medição; separabilidade. IntroduçãoQuase todos os artigos sobre filosofia da mecânica quântica (este inclusive) iniciam dizendo que, apesar do enorme sucesso da teoria em termos predições confirmadas por experimentos, sua fundamentação conceitual é objeto de um extenso e controverso debate filosófico.Esse é um assunto delicado, pois o contínuo sucesso experimental da mecânica quântica-a teoria que explica e permitiu a criação de dispositivos tal como o que você utiliza neste momento para acessar este artigo eletrônico-parece demandar que seu significado físico também seja claro.No entanto, não é, e isso ocorre devido ao conceito de 'medição'.O problema da medição, de uma forma geral, enfatiza a discrepância entre o que o formalismo da teoria descreve e os resultados experimentais obtidos por meio das medições.

•Jan 1, 2023•0 citations

Felinos inseparáveis: considerações históricas e filosóficas acerca do problema da medição em mecânica quântica

Raoni Wohnrath Arroyo

Este artigo trata de aspectos abordados aspectos históricos e filosóficos do problema da medição em mecânica quântica, com ênfase na famosa formulação de Erwin Schrödinger conhecida como o “paradoxo do Gato de Schrödinger”. Pensado para o uso em sala de aula em cursos de filosofia da ciência a nível de graduação e pós-graduação, o artigo trata, em especial: da gênese do problema da medição (§ 1); sua conexão com os debates filosóficos sobre a localidade e separabilidade (§ 2); as consequências para debates futuros na metafísica da ciência (§ 3). Palavras-chave: filosofia da mecânica quântica; gato de Schrödinger; metafísica da ciência; problema da medição; separabilidade.

Revista Ética e Filosofia Política•Aug 29, 2023•0 citations

Introdução

Roberto Leon Ponczek

INTRODUÇÃOConstatei pelo meu longo périplo por várias universidades, congressos, encontros, simpósios, tanto de Filosofia como de Física, que os filósofos desconhecem a Física na mesma proporção que os físicos desconhecem a Filosofia.Os filósofos alegam que a Física enveredou por técnicas e matemáticas muito especializadas tornando-se de difícil compreensão para quem não tiver um longo adestramento nos métodos matemáticos e experimentais utilizados.Já os físicos, ainda mais pragmáticos, alegam que a Filosofia pouca ou nenhuma utilidade para eles terá.Alguns mais radicais chegam a dizer de alto e bom tom que "a Filosofia é pura perda de tempo".Tenho por objetivo maior mostrar que ambos estão equivocados.O mal-entendido e a falta de comunicação entre as duas comunidades dão-se principalmente pela forma pontual, a-histórica e antifilosófica como são ensinadas e divulgadas as ciências, e dentre estas a Física, em nossas escolas e universidades.Pretendo assim apresentá-la (notadamente a Teoria da Relatividade e a Teoria Quântica) de ângulos bastante distintos de como é normalmente apresentada nas nossas instituições de ensino e pesquisa.Acredito que a forma em que serão expostas as duas mais importantes teorias da Física moderna, desvelando as suas múltiplas articulações com a Filosofia, poderá ser útil não só a filósofos e físicos, mas também a um público culto interessado nas principais indagações da contemporaneidade.Sempre que possível, estarei buscando um justo equilíbrio de forças do pensamento científico e filosófico, visando o centro de gravidade dessas atividades do espírito humano.Para sossego dos físicos mais ortodoxos, é, no entanto, importante sublinhar que a abordagem com a qual aqui será tratada a Física não pretende substituir os métodos tradicionais de operar os conceitos matemáticos, pois seria temerário supor que seu aprendizado possa ser feito sem um amplo e seguro domínio do ferramental matemático.Sabe-se perfeitamente o poder da matemática não só como a linguagem da Física, mas também como a grande metáfora da natureza, que através de um simples signo, ou uma relação entre eles, pode representar uma extensa narrativa dos fenômenos naturais.A conquista do quantitativo e da precisão adquiridos a partir da revolução científica do séc.XVII é irreversível, e só foi possível com a matematização | 30 | dos fenômenos ocorrida a partir de Kepler e Galileo.O que pretendo é servir de harmonia e contraponto filosófico às construções matemáticas operacionais da Física que tanto assustam os não-iniciados, vislumbrando nesta ciência uma aproximação essencial com a Filosofia, a Educação e a cultura.No linguajar médico significaria propor, para a cura da pedagogia da Física, um tratamento alternativo sem remoção da medicação principal.O que me move a propor esse novo ângulo de visada sobre a Ciência, e sobre a Física, em particular, é, repito, a forma estanque e pontual com que ela é geralmente ensinada nas salas de aula de nossos estabelecimentos de ensino médio e superior.A Física apresentada nas academias parece bastar-se a si própria tal qual um castelo feudal isolado por profundos fossos que ocultam os vínculos com a história do pensamento filosófico ou da práxis cotidiana, repelindo filósofos e outros pensadores da cultura.De fato, os textos, ementas, planos de cursos das disciplinas de Física, adotados e praticados nas salas de aulas das universidades brasileiras, desde o pós-guerra, são, em sua grande maioria, traduções e adaptações de textos de autores norte-americanos, apresentando a Física em complexas construções matemáticas fundadas em exaustivos programas experimentais.Segundo esses textos, foi inventada por Newton, reinventada por Einstein, tendo em Galileo uma espécie de coadjuvante esforçado, porém pouco eficiente.Kepler e Copérnico são agraciados com uns poucos parágrafos.Descartes, Kant ou Hume quase nunca são mencionados; e nosso filósofo homenageado, Spinoza, um ilustre desconhecido.Esses textos e programas, tecnicamente corretos, porém, sob os pontos de vista histórico e filosófico, extremamente pobres, já formaram várias gerações de físicos, químicos, engenheiros, matemáticos e professores com inegável eficiência e pragmatismo.No entanto, pelo menos três reflexões muito preciosas se perderam neste processo de aprendizagem: a possibilidade da Física abrir-se às questões metafísicas, aparentemente tão distantes, mas que no passado lhe deram origem; buscar na Física, particularmente em algumas de suas teorias, elementos relevantes para alguns dos problemas mais básicos da teoria do conhecimento, como sua origem, a essência ou possibilidade; e finalmente restituir o sentido originário de tempo na história da criação científica, buscando sua imbricação com outras atividades do espírito.

EDUFBA eBooks•Jan 1, 2009•0 citations

campo quântico e os horizontes do conhecimento

Rodrigo Petrônio

Para fins operacionais, este Dossiê adotou a abordagem deflacionada descrita no Editorial.Ou seja: se concentrou mais em abordagens estritas do campo quântico nas artes, na filosofia, na computação, na semiótica e nas fronteiras transdisciplinares que essa investigação exige.Isso não minimiza a necessidade de compreender o campo quântico a partir dessas apropriações mais amplas, em alguns casos totalmente alheias aos procedimentos-padrão da ciência.Para isso enfatizar a diversidade do campo quântico e ao mesmo tempo demonstrar linhas convergentes de seus horizontes, dividimos este Dossiê em três áreas: 1. Arte, Literatura e Audiovisual 2. Computação, Sistemas e Complexidade 3. Ontologia, Cosmologia e Epistemologia.A entrevista de abertura com Osvaldo Pessoa Junior se entrelaça perfeitamente aos objetivos deste Dossiê.Um dos pesquisadores mais reconhecidos do Brasil na área de filosofia da teoria quântica, com formação em física e em filosofia, Osvaldo é autor de artigos e de livros-base seminais para a compreensão da quântica em um espectro amplo e diversificado.Especialista também em filosofia da mente, em sua entrevista Osvaldo estabelece ressonâncias extremamente ricas entre as descobertas da quântica e as novas fronteiras das ciências cognitivas.Além disso, posiciona de modo didático e profundo as principais controvérsias, limites e problemas do campo quântico atualmente.A seção Arte, Literatura e Audiovisual conta com artigos dedicados à fascinante interface dos modelos quânticos com essas áreas.

TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas•Mar 19, 2025•0 citations

O centenário debate sobre a interpretação e os fundamentos da Física Quântica

Olival Freire

Apresentamos reflexões sobre a história da mecânica quântica, em especial do debate sobre os fundamentos e interpretações desta teoria científica. Tais reflexões podem ser de utilidade no contexto dos preparativos para o projeto sobre o centenário da mecânica quântica, em 2025. Considerando-se a controvérsia sobre os fundamentos desta teoria como uma controvérsia também quase centenária, examinamos três aspectos: a atitude dos físicos face à pesquisa em fundamentos da teoria quântica, a atitude dos filósofos da ciência face à controvérsia e o papel dos experimentos na elucidação desta controvérsia. As lições que extraímos desta análise podem ser de utilidade no ensino da teoria quântica, particularmente nas primeiras etapas do contato dos estudantes com esta teoria científica.

Revista Brasileira de Ensino de Ciências e Matemática•Sep 2, 2021•1 citation

Tópicos em teoria de quase-conjuntos e filosofia da física quântica

Jonas R. Becker Arenhart

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Filosofia.

•Jan 1, 2008•0 citations
Agradecimentos: Este texto foi desenvolvido, em grande parte, a partir de reflexões e notas de aula dos últimos cursos livres lecionados pelo Prof. Newton da Costa, na Universidade federal de Santa Catarina, durante 2016 e 2020; nessas ocasiões, beneficiei-me também das discussões com Christian de Ronde, Décio Krause, Helcio Felippe Jr., Lauro Nunes Filho, Joanne Flausino e Jonas Arenhart. Agradeço também ao Gilson Olegario da Silva pelo gentil convite para publicar este artigo no presente número especial sobre filosofia da ciência. Pesquisador visitante na Università degli Studi Roma Tre. Apoio: processo No 22/15992-8, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Pesquisador pós-doutoral no Centro de Lógica, Epistemologia e História da ciência, integra o Grupo de Pesquisa em Lógica e Fundamentos da Ciência (CNPq), e a International Network on Foundations of Quantum Mechanics and Quantum Information
Resumo: Este artigo trata de aspectos abordados aspectos históricos e filosóficos do problema da medição em mecânica quântica, com ênfase na famosa formulação de Erwin Schrödinger conhecida como o "paradoxo do Gato de Schrödinger".Pensado para o uso em sala de aula em cursos de filosofia da ciência a nível de graduação e pós-graduação, o artigo trata, em especial: da gênese do problema da medição ( § 1); sua conexão com os debates filosóficos sobre a localidade e separabilidade ( § 2); as consequências para debates futuros na metafísica da ciência ( § 3).Palavras-chave: filosofia da mecânica quântica; gato de Schrödinger; metafísica da ciência; problema da medição; separabilidade. IntroduçãoQuase todos os artigos sobre filosofia da mecânica quântica (este inclusive) iniciam dizendo que, apesar do enorme sucesso da teoria em termos predições confirmadas por experimentos, sua fundamentação conceitual é objeto de um extenso e controverso debate filosófico.Esse é um assunto delicado, pois o contínuo sucesso experimental da mecânica quântica-a teoria que explica e permitiu a criação de dispositivos tal como o que você utiliza neste momento para acessar este artigo eletrônico-parece demandar que seu significado físico também seja claro.No entanto, não é, e isso ocorre devido ao conceito de 'medição'.O problema da medição, de uma forma geral, enfatiza a discrepância entre o que o formalismo da teoria descreve e os resultados experimentais obtidos por meio das medições.
Este artigo trata de aspectos abordados aspectos históricos e filosóficos do problema da medição em mecânica quântica, com ênfase na famosa formulação de Erwin Schrödinger conhecida como o “paradoxo do Gato de Schrödinger”. Pensado para o uso em sala de aula em cursos de filosofia da ciência a nível de graduação e pós-graduação, o artigo trata, em especial: da gênese do problema da medição (§ 1); sua conexão com os debates filosóficos sobre a localidade e separabilidade (§ 2); as consequências para debates futuros na metafísica da ciência (§ 3). Palavras-chave: filosofia da mecânica quântica; gato de Schrödinger; metafísica da ciência; problema da medição; separabilidade.
INTRODUÇÃOConstatei pelo meu longo périplo por várias universidades, congressos, encontros, simpósios, tanto de Filosofia como de Física, que os filósofos desconhecem a Física na mesma proporção que os físicos desconhecem a Filosofia.Os filósofos alegam que a Física enveredou por técnicas e matemáticas muito especializadas tornando-se de difícil compreensão para quem não tiver um longo adestramento nos métodos matemáticos e experimentais utilizados.Já os físicos, ainda mais pragmáticos, alegam que a Filosofia pouca ou nenhuma utilidade para eles terá.Alguns mais radicais chegam a dizer de alto e bom tom que "a Filosofia é pura perda de tempo".Tenho por objetivo maior mostrar que ambos estão equivocados.O mal-entendido e a falta de comunicação entre as duas comunidades dão-se principalmente pela forma pontual, a-histórica e antifilosófica como são ensinadas e divulgadas as ciências, e dentre estas a Física, em nossas escolas e universidades.Pretendo assim apresentá-la (notadamente a Teoria da Relatividade e a Teoria Quântica) de ângulos bastante distintos de como é normalmente apresentada nas nossas instituições de ensino e pesquisa.Acredito que a forma em que serão expostas as duas mais importantes teorias da Física moderna, desvelando as suas múltiplas articulações com a Filosofia, poderá ser útil não só a filósofos e físicos, mas também a um público culto interessado nas principais indagações da contemporaneidade.Sempre que possível, estarei buscando um justo equilíbrio de forças do pensamento científico e filosófico, visando o centro de gravidade dessas atividades do espírito humano.Para sossego dos físicos mais ortodoxos, é, no entanto, importante sublinhar que a abordagem com a qual aqui será tratada a Física não pretende substituir os métodos tradicionais de operar os conceitos matemáticos, pois seria temerário supor que seu aprendizado possa ser feito sem um amplo e seguro domínio do ferramental matemático.Sabe-se perfeitamente o poder da matemática não só como a linguagem da Física, mas também como a grande metáfora da natureza, que através de um simples signo, ou uma relação entre eles, pode representar uma extensa narrativa dos fenômenos naturais.A conquista do quantitativo e da precisão adquiridos a partir da revolução científica do séc.XVII é irreversível, e só foi possível com a matematização | 30 | dos fenômenos ocorrida a partir de Kepler e Galileo.O que pretendo é servir de harmonia e contraponto filosófico às construções matemáticas operacionais da Física que tanto assustam os não-iniciados, vislumbrando nesta ciência uma aproximação essencial com a Filosofia, a Educação e a cultura.No linguajar médico significaria propor, para a cura da pedagogia da Física, um tratamento alternativo sem remoção da medicação principal.O que me move a propor esse novo ângulo de visada sobre a Ciência, e sobre a Física, em particular, é, repito, a forma estanque e pontual com que ela é geralmente ensinada nas salas de aula de nossos estabelecimentos de ensino médio e superior.A Física apresentada nas academias parece bastar-se a si própria tal qual um castelo feudal isolado por profundos fossos que ocultam os vínculos com a história do pensamento filosófico ou da práxis cotidiana, repelindo filósofos e outros pensadores da cultura.De fato, os textos, ementas, planos de cursos das disciplinas de Física, adotados e praticados nas salas de aulas das universidades brasileiras, desde o pós-guerra, são, em sua grande maioria, traduções e adaptações de textos de autores norte-americanos, apresentando a Física em complexas construções matemáticas fundadas em exaustivos programas experimentais.Segundo esses textos, foi inventada por Newton, reinventada por Einstein, tendo em Galileo uma espécie de coadjuvante esforçado, porém pouco eficiente.Kepler e Copérnico são agraciados com uns poucos parágrafos.Descartes, Kant ou Hume quase nunca são mencionados; e nosso filósofo homenageado, Spinoza, um ilustre desconhecido.Esses textos e programas, tecnicamente corretos, porém, sob os pontos de vista histórico e filosófico, extremamente pobres, já formaram várias gerações de físicos, químicos, engenheiros, matemáticos e professores com inegável eficiência e pragmatismo.No entanto, pelo menos três reflexões muito preciosas se perderam neste processo de aprendizagem: a possibilidade da Física abrir-se às questões metafísicas, aparentemente tão distantes, mas que no passado lhe deram origem; buscar na Física, particularmente em algumas de suas teorias, elementos relevantes para alguns dos problemas mais básicos da teoria do conhecimento, como sua origem, a essência ou possibilidade; e finalmente restituir o sentido originário de tempo na história da criação científica, buscando sua imbricação com outras atividades do espírito.
Para fins operacionais, este Dossiê adotou a abordagem deflacionada descrita no Editorial.Ou seja: se concentrou mais em abordagens estritas do campo quântico nas artes, na filosofia, na computação, na semiótica e nas fronteiras transdisciplinares que essa investigação exige.Isso não minimiza a necessidade de compreender o campo quântico a partir dessas apropriações mais amplas, em alguns casos totalmente alheias aos procedimentos-padrão da ciência.Para isso enfatizar a diversidade do campo quântico e ao mesmo tempo demonstrar linhas convergentes de seus horizontes, dividimos este Dossiê em três áreas: 1. Arte, Literatura e Audiovisual 2. Computação, Sistemas e Complexidade 3. Ontologia, Cosmologia e Epistemologia.A entrevista de abertura com Osvaldo Pessoa Junior se entrelaça perfeitamente aos objetivos deste Dossiê.Um dos pesquisadores mais reconhecidos do Brasil na área de filosofia da teoria quântica, com formação em física e em filosofia, Osvaldo é autor de artigos e de livros-base seminais para a compreensão da quântica em um espectro amplo e diversificado.Especialista também em filosofia da mente, em sua entrevista Osvaldo estabelece ressonâncias extremamente ricas entre as descobertas da quântica e as novas fronteiras das ciências cognitivas.Além disso, posiciona de modo didático e profundo as principais controvérsias, limites e problemas do campo quântico atualmente.A seção Arte, Literatura e Audiovisual conta com artigos dedicados à fascinante interface dos modelos quânticos com essas áreas.
Apresentamos reflexões sobre a história da mecânica quântica, em especial do debate sobre os fundamentos e interpretações desta teoria científica. Tais reflexões podem ser de utilidade no contexto dos preparativos para o projeto sobre o centenário da mecânica quântica, em 2025. Considerando-se a controvérsia sobre os fundamentos desta teoria como uma controvérsia também quase centenária, examinamos três aspectos: a atitude dos físicos face à pesquisa em fundamentos da teoria quântica, a atitude dos filósofos da ciência face à controvérsia e o papel dos experimentos na elucidação desta controvérsia. As lições que extraímos desta análise podem ser de utilidade no ensino da teoria quântica, particularmente nas primeiras etapas do contato dos estudantes com esta teoria científica.