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TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas

Há mundo depois da quântica?

Bruno Cava Rodrigues

Published Mar 19, 2025• 0 citations
Publisher

Abstract

Se o século XXI é o século da terceira morte filosófica, a do mundo, que os clínicos da civilização vêm diagnosticando no (pós-)horizonte do Antropoceno, cabe analisar o que vem depois e o que nos cabe esperar. As consequências tecnológicas da mecânica quântica são um fato notório, na medida em que a constituição de nossa vida comum está irremediavelmente imersa nelas. Menos reconhecido, entretanto, é o abalo das descobertas e paradoxos da mecânica quântica para uma nova imanência e uma nova liberdade. Está em jogo um deslocamento do problema que se comunica, por ondas de choque, com limiares de ruptura de outros campos, como reconstrução da legibilidade do Real por Paul Klee e sua variante radical da arte moderna. A gênese conceitual da interpretação de Copenhague se orienta pelos princípios da incerteza e da complementariedade. Ela embute uma dupla renúncia: ao projeto de inteligibilidade visual do mundo e ao determinismo eficiente que define um universo explicável por cadeias de causas e efeitos. Para elucidá-la, abordam-se três tipos ideais que compõem a Física predominante depois da Renascença: metafísica (neo-)aristotélica, mecanicismo cartesiano e cosmologia newtoniana (culminada na Teoria da Relatividade); bem como tais componentes foram deslocados na mecânica dos quanta, descortinada por Heisenberg e Bohr. O artigo conclui com um breve comentário sobre as ressonâncias cosmopolíticas da revolução quântica.

DOI
10.23925/1984-3585.2024i2930p180-197

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Física quântica e cultura:

Osvaldo Frota Pessoa Junior

Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.

TECCOGS Revista Digital de Tecnologias Cognitivas•Dec 15, 2023•0 citations

O ANTIRREALISMO ORTODOXO NA AURORA DA MECÂNICA QUÂNTICA

Maxwell Diógenes Bandeira de Melo, Eduardo Simões

RESUMO O tema do antirrealismo ortodoxo na aurora da mecânica quântica nasce da perspectiva de discutir o problema que envolve o embate entre realismo e antirrealismo nos primórdios da mecânica quântica, especialmente no interior da interpretação de Copenhague, liderada por Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em termos gerais, objetiva-se evidenciar pressupostos ontológicos e os conceitos metafísicos empregados nas diversas concepções que compõe a interpretação supramencionada, particularmente, o princípio da incerteza de Heisenberg. A metodologia para tal análise será uma revisão de literatura, portanto, uma pesquisa bibliográfica, baseada no que há de mais atual sobre o tema em epígrafe. O que se intenta com o presente artigo é demonstrar como o realismo e antirrealismo, enquanto perspectivas filosóficas, versam sobre a natureza da realidade e a relação entre conceitos teóricos e observações empíricas. O realismo apresenta uma visão que postula a existência da realidade objetiva e independente das observações humanas e o antirrealismo sustenta que os conceitos teóricos e entidades propostas por teorias científicas não podem ter uma correspondência direta com a realidade, independente das observações. Nesse trabalho o leitor verá uma discussão sobre essas duas vertentes nos primórdios da mecânica quântica e suas consequências para o entendimento do mundo dos quanta. Palavras-chave: Antirrealismo, incerteza, mecânica quântica.

DESAFIOS Revista Interdisciplinar da Universidade Federal do Tocantins•Apr 22, 2024•0 citations

A questão do tempo na mecânica quântica

Matheus H. Zambianco

O tempo está em todo lugar. Um conceito tão onipresente e natural para nós, seres humanos, que raramente indagamos sobre a sua natureza. Para a ciência, existe a necessidade clara de se entender cada vez mais sobre a estrutura fundamental do mundo a nossa volta, de modo que um entendimento completo sobre o tempo certamente é um objetivo nobre para a Física. Nesta dissertação, investigamos o conceito do tempo a partir da perspectiva de dois paradigmas fundamentalmente conflitantes: o relativístico e o quântico. Se por um lado a Relatividade Geral permite caracterizar tempo como aquilo medido por relógios honestos - aparatos pontuais que não atrasam nem adiantam independentemente de suas histórias passadas -, por outro, as leis da Mecânica Quântica proibem a existência dos mesmos na natureza. Nossa proposta é fornecer um entendimento preciso da razão de tal proibição, bem como uma perspectiva sólida do papel do tempo na teoria quântica enquanto uma quantidade passível de medição;

•Nov 27, 2020•0 citations

Crise Epistemológica da Teoria Quântica

João Renato Amorim Feitosa

Podemos facilmente constatar que o desenvolvimento das principais teorias do conhecimento do período moderno da filosofia ocidental guardou uma estreita relação com o status quo do desenvolvimento da matemática e das ciências de uma maneira geral. Essa característica é sobretudo evidente no projeto kantiano de fornecer as bases filosóficas para explicar a possibilidade da geometria (euclidiana) e da física newtoniana, as quais Kant fundamentou sob princípios os quais considerou condições sine qua non do conhecimento humano. Contudo, a física que se desenvolveu na primeira metade do século XX apresentou situações em que os próprios físicos tiveram que se questionar acerca dos problemas epistemológicos envolvidos na descrição, interpretação, e em última instância, na comunicação dos fenômenos observados, de modo que alguns conceitos caros à epistemologia tradicional se mostraram ora inválidos, ora ineficientes para explicar a possibilidade de conhecimento objetivo diante desse novo conjunto de fenômenos. Portanto, gostaríamos de apresentar de maneira breve de que modo ocorre essa contraposição entre epistemologia tradicional e teoria quântica, bem como o modo como os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg lidaram com a nova situação que se apresentava.

Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea•Apr 30, 2022•0 citations

O problema da medição na Mecânica Quântica: do desenvolvimento da teoria à informação quântica

L.B.O. Leite, R.V. Leite, H.M. Vasconcelos +1 more

Resumo Tendo como um dos pilares fundamentais o princípio da incerteza de Heisenberg, a construção da Mecânica Quântica (MQ) levou Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen a formularem, em 1935, o famoso paradoxo EPR, que questionava a completude da teoria. Até 1964, não havia sequer em teoria um teste capaz de distinguir a MQ de hipóteses alternativas baseadas em variáveis ocultas locais. O artigo intitulado “Can Quantum Mechanical Description of Physical Reality Be Considered Complete?” apontava para a incompletude da MQ, diretamente ligada ao caráter probabilístico da teoria, ao qual Einstein se opunha frontalmente. Em 1964, John S. Bell formulou seu teorema, que tornou viáveis os testes experimentais das previsões da MQ. Na década de 1980, iniciaram-se os experimentos cruciais que confirmaram as previsões da MQ sobre o emaranhamento, inaugurando uma nova fase nos estudos sobre os fundamentos da teoria. Em 2022, John Clauser, Alain Aspect e Anton Zeilinger foram agraciados com o Prêmio Nobel de Física pela violação experimental das desigualdades de Bell. O presente trabalho consiste em uma revisão de trabalhos teórico-experimentais, tendo como foco o período de 87 anos que se inicia com a formulação do paradoxo EPR e culmina com a concessão do Prêmio Nobel de 2022. Ao longo da revisão histórica dos trabalhos, são discutidos e problematizados alguns dos tópicos de maior relevância para a teoria quântica, incluindo certas interpretações da MQ. Além dos referidos experimentos, abordaremos ao final dois trabalhos laureados com o Prêmio Nobel de 2012, num contexto de aplicações da MQ em informação e computação quânticas.

Revista Brasileira de Ensino de Física•Jan 1, 2026•0 citations

A disciplina modal da mecânica quântica: uma leitura crítico–propositiva da bibliografia fundante quântica em confronto com a Teoria da Objetividade

Vidamor Cabannas, Denivaldo Silva

Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea

•Mar 18, 2026•0 citations
Se o século XXI é o século da terceira morte filosófica, a do mundo, que os clínicos da civilização vêm diagnosticando no (pós-)horizonte do Antropoceno, cabe analisar o que vem depois e o que nos cabe esperar. As consequências tecnológicas da mecânica quântica são um fato notório, na medida em que a constituição de nossa vida comum está irremediavelmente imersa nelas. Menos reconhecido, entretanto, é o abalo das descobertas e paradoxos da mecânica quântica para uma nova imanência e uma nova liberdade. Está em jogo um deslocamento do problema que se comunica, por ondas de choque, com limiares de ruptura de outros campos, como reconstrução da legibilidade do Real por Paul Klee e sua variante radical da arte moderna. A gênese conceitual da interpretação de Copenhague se orienta pelos princípios da incerteza e da complementariedade. Ela embute uma dupla renúncia: ao projeto de inteligibilidade visual do mundo e ao determinismo eficiente que define um universo explicável por cadeias de causas e efeitos. Para elucidá-la, abordam-se três tipos ideais que compõem a Física predominante depois da Renascença: metafísica (neo-)aristotélica, mecanicismo cartesiano e cosmologia newtoniana (culminada na Teoria da Relatividade); bem como tais componentes foram deslocados na mecânica dos quanta, descortinada por Heisenberg e Bohr. O artigo conclui com um breve comentário sobre as ressonâncias cosmopolíticas da revolução quântica.
Uma exposição didática sobre a física quântica abre o artigo, salientando-se a diferença entre a parte objetiva da teoria e sua parte interpretativa. Adota-se uma “interpretação ondulatória realista com colapsos” para expor cinco princípios básicos da teoria. Aborda-se então a questão de qual é o impacto da física quântica sobre a sociedade. Discorre-se sobre seu grande impacto científico e tecnológico, e em seguida examina-se com mais atenção o seu impacto teórico, em termos ontológico e epistemológico. Argumenta-se que impacto ontológico em nossa vida cotidiana se limita às aplicações tecnológicas, e que possíveis consequências filosóficas do princípio de incerteza e do indeterminismo não são importantes, e muito menos as consequências imaginadas pelo Misticismo Quântico com relação ao emaranhamento. Dentre as lições epistemológicas está que conhecemos a interpretação que mais se aproxima da verdade, mas não sabemos qual é ela, dentre as dezenas de interpretações propostas. Por fim, discutimos a tese de Forman, que envolve a questão de se a ciência é objetiva ou se é uma construção sócio-culturalmente negociada, como defende o relativismo. Concluímos por um “relativismo relativo”: as interpretações podem ser fortemente influenciadas pela cultura, mas em uma ciência saudável a sua parte objetiva consegue se isolar das vicissitudes sociais e das intenções emotivas dos cientistas. Por fim, são dados alguns exemplos de influência da cultura, e de outros fatores, sobre as interpretações da Teoria Quântica.
RESUMO O tema do antirrealismo ortodoxo na aurora da mecânica quântica nasce da perspectiva de discutir o problema que envolve o embate entre realismo e antirrealismo nos primórdios da mecânica quântica, especialmente no interior da interpretação de Copenhague, liderada por Niels Bohr e Werner Heisenberg. Em termos gerais, objetiva-se evidenciar pressupostos ontológicos e os conceitos metafísicos empregados nas diversas concepções que compõe a interpretação supramencionada, particularmente, o princípio da incerteza de Heisenberg. A metodologia para tal análise será uma revisão de literatura, portanto, uma pesquisa bibliográfica, baseada no que há de mais atual sobre o tema em epígrafe. O que se intenta com o presente artigo é demonstrar como o realismo e antirrealismo, enquanto perspectivas filosóficas, versam sobre a natureza da realidade e a relação entre conceitos teóricos e observações empíricas. O realismo apresenta uma visão que postula a existência da realidade objetiva e independente das observações humanas e o antirrealismo sustenta que os conceitos teóricos e entidades propostas por teorias científicas não podem ter uma correspondência direta com a realidade, independente das observações. Nesse trabalho o leitor verá uma discussão sobre essas duas vertentes nos primórdios da mecânica quântica e suas consequências para o entendimento do mundo dos quanta. Palavras-chave: Antirrealismo, incerteza, mecânica quântica.
O tempo está em todo lugar. Um conceito tão onipresente e natural para nós, seres humanos, que raramente indagamos sobre a sua natureza. Para a ciência, existe a necessidade clara de se entender cada vez mais sobre a estrutura fundamental do mundo a nossa volta, de modo que um entendimento completo sobre o tempo certamente é um objetivo nobre para a Física. Nesta dissertação, investigamos o conceito do tempo a partir da perspectiva de dois paradigmas fundamentalmente conflitantes: o relativístico e o quântico. Se por um lado a Relatividade Geral permite caracterizar tempo como aquilo medido por relógios honestos - aparatos pontuais que não atrasam nem adiantam independentemente de suas histórias passadas -, por outro, as leis da Mecânica Quântica proibem a existência dos mesmos na natureza. Nossa proposta é fornecer um entendimento preciso da razão de tal proibição, bem como uma perspectiva sólida do papel do tempo na teoria quântica enquanto uma quantidade passível de medição;
Podemos facilmente constatar que o desenvolvimento das principais teorias do conhecimento do período moderno da filosofia ocidental guardou uma estreita relação com o status quo do desenvolvimento da matemática e das ciências de uma maneira geral. Essa característica é sobretudo evidente no projeto kantiano de fornecer as bases filosóficas para explicar a possibilidade da geometria (euclidiana) e da física newtoniana, as quais Kant fundamentou sob princípios os quais considerou condições sine qua non do conhecimento humano. Contudo, a física que se desenvolveu na primeira metade do século XX apresentou situações em que os próprios físicos tiveram que se questionar acerca dos problemas epistemológicos envolvidos na descrição, interpretação, e em última instância, na comunicação dos fenômenos observados, de modo que alguns conceitos caros à epistemologia tradicional se mostraram ora inválidos, ora ineficientes para explicar a possibilidade de conhecimento objetivo diante desse novo conjunto de fenômenos. Portanto, gostaríamos de apresentar de maneira breve de que modo ocorre essa contraposição entre epistemologia tradicional e teoria quântica, bem como o modo como os físicos Niels Bohr e Werner Heisenberg lidaram com a nova situação que se apresentava.
Resumo Tendo como um dos pilares fundamentais o princípio da incerteza de Heisenberg, a construção da Mecânica Quântica (MQ) levou Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen a formularem, em 1935, o famoso paradoxo EPR, que questionava a completude da teoria. Até 1964, não havia sequer em teoria um teste capaz de distinguir a MQ de hipóteses alternativas baseadas em variáveis ocultas locais. O artigo intitulado “Can Quantum Mechanical Description of Physical Reality Be Considered Complete?” apontava para a incompletude da MQ, diretamente ligada ao caráter probabilístico da teoria, ao qual Einstein se opunha frontalmente. Em 1964, John S. Bell formulou seu teorema, que tornou viáveis os testes experimentais das previsões da MQ. Na década de 1980, iniciaram-se os experimentos cruciais que confirmaram as previsões da MQ sobre o emaranhamento, inaugurando uma nova fase nos estudos sobre os fundamentos da teoria. Em 2022, John Clauser, Alain Aspect e Anton Zeilinger foram agraciados com o Prêmio Nobel de Física pela violação experimental das desigualdades de Bell. O presente trabalho consiste em uma revisão de trabalhos teórico-experimentais, tendo como foco o período de 87 anos que se inicia com a formulação do paradoxo EPR e culmina com a concessão do Prêmio Nobel de 2022. Ao longo da revisão histórica dos trabalhos, são discutidos e problematizados alguns dos tópicos de maior relevância para a teoria quântica, incluindo certas interpretações da MQ. Além dos referidos experimentos, abordaremos ao final dois trabalhos laureados com o Prêmio Nobel de 2012, num contexto de aplicações da MQ em informação e computação quânticas.
Este artigo apresenta um exame crítico–propositivo da bibliografia fundante da mecânica quântica em confronto com a Teoria da Objetividade (TO). Partindo dos trabalhos clássicos de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Born, Dirac, von Neumann, Einstein–Podolsky–Rosen e Bell, o estudo investiga em que medida a arquitetura conceitual da mecânica quântica pode ser reinterpretada sob a disciplina modal da TO. O artigo sustenta que a mecânica quântica, embora extraordinariamente bem-sucedida como estrutura matemática e empírica para a descrição de regimes físicos observáveis, não esgota por si só as condições ontológicas de inteligibilidade do universo. Em resposta, o texto articula a bibliografia quântica com a bibliografia fundante da TO, seus desenvolvimentos recentes em ontologia modal e testabilidade, bem como com a bibliografia de apoio e de diálogo em física, cosmologia e filosofia da ciência. Dá-se especial atenção às possíveis compatibilidades e aos pontos de tensão entre a teoria quântica e as Sete Verdades Absolutas da TO, bem como ao teorema cosmogênico, aos elementos fenomênicos, aos Efeitos Indutores e às Eras cosmológicas da Teoria da Objetividade. Nesse enquadramento, quantização, superposição, medição, emaranhamento, decoerência e vácuo quântico são reinterpretados como manifestações fenomênicas que podem ser disciplinadas por uma gramática modal mais profunda. O artigo propõe ainda que o elemento transcendente, em termos da TO, pode ser compreendido como o conhecimento ou as informações produzidos nas relações atômicas e equivalentes às radiações atômicas. A partir dessa perspectiva, a mecânica quântica não é rejeitada, mas reinscrita em um horizonte ontológico mais amplo, no qual relação, fronteira, observação e transcendência adquirem significado fundante. Ao combinar análise filosófica, ontologia comparada e diálogo com a física observacional contemporânea, este estudo contribui para o desenvolvimento de um programa de pesquisa modal e testável, no qual a Teoria da Objetividade funciona como disciplina de inteligibilidade para os fenômenos quânticos, e não apenas como crítica externa. Observação dos autores: Este artigo contou com o suporte analítico do ChatGPT na organização bibliográfica, na estruturação comparativa e na sistematização dos pontos de compatibilidade, tensão e testabilidade. Palavras-chave Teoria da Objetividade; mecânica quântica; ontologia modal; física fundacional; filosofia da mecânica quântica; desigualdades de Bell; paradoxo EPR; vácuo quântico; elementos fenomênicos; Efeitos Indutores; teorema cosmogênico; Eras cosmológicas; ontologia relacional; testabilidade; cosmologia contemporânea